A reflexão estética na Grécia Antiga estava ligada à noção de ordem e harmonia. A beleza era entendida como aquilo que manifestava proporções racionais e equilíbrio entre as partes, ideias que se originam na doutrina pitagórica da relação entre número e forma. O termo “kalós” designava tanto o belo quanto o bem, evidenciando que, na origem, não havia separação entre estética e ética. A arte era compreendida como uma forma de imitação (mímesis), mas não apenas como cópia da realidade, e sim como recriação da essência das coisas.
A história da estética é também a história das formas como a humanidade pensou e experienciou o sensível, o belo, a arte e a percepção. De Pitágoras a Nietzsche, de Platão a Kant, cada época elaborou conceitos que buscavam compreender por que certas formas nos afetam, por que chamamos algo de belo, feio, expressivo ou sublime. O campo da estética não esteve isolado, atravessou debates filosóficos, religiosos, políticos e culturais, adaptando-se às transformações do pensamento e das sociedades.
Neste texto, apresentamos um panorama cronológico e temático da história da estética a partir da obra de Raymond Bayer. Dividido em dez tópicos centrais, o percurso propõe uma leitura objetiva das principais ideias que marcaram o campo, sem recorrer a adjetivos ou interpretações pessoais. A proposta é oferecer uma base sólida e sintética para quem deseja compreender os marcos fundamentais da estética ocidental.
1. Estética na Grécia Antiga
- A noção de beleza era associada à ordem, proporção e harmonia (kalós).
- Pitágoras relacionava beleza às proporções matemáticas.
- Platão distinguia entre beleza sensível e beleza ideal, vinculando o belo ao Bem.
- Aristóteles tratou da arte como mímesis e introduziu a ideia de catarse na tragédia.
2. Estética no Helenismo e na Roma Antiga
- Os estóicos e epicuristas debateram a sensação estética e os prazeres da alma.
- Plotino retomou o idealismo platônico, associando o belo à emanação do Uno.
- A arte romana valorizava a imitação da natureza e a função decorativa ou retórica da imagem.
3. Estética na Idade Média
- A estética medieval era teológica e vinculada à luz, ordem divina e simbolismo.
- Agostinho afirmava que a beleza provém da unidade e da participação no divino.
- Tomás de Aquino definiu o belo como aquilo que agrada à visão, baseado em integridade, proporção e claridade.
4. Estética no Renascimento
- Valorização do corpo, da perspectiva e do estudo anatômico nas artes visuais.
- Teóricos como Alberti e Leonardo da Vinci analisaram a arte como ciência e técnica.
- A beleza passou a ser considerada uma qualidade natural, observável e imitável.
5. Estética no Barroco
- Ênfase no contraste, na dramaticidade e na expressão das paixões.
- A arte foi utilizada como instrumento de persuasão religiosa e política.
- A noção de gosto começou a se consolidar como fator de juízo estético individual.
6. Estética no Iluminismo
- O termo “estética” foi sistematizado por Alexander Baumgarten como ciência do conhecimento sensível.
- Immanuel Kant reformulou o campo com a “Crítica da Faculdade do Juízo”, separando o juízo estético do conhecimento e da moral.
- A arte passou a ser compreendida como forma de liberdade e finalidade sem fim.
7. Idealismo Alemão
- Friedrich Schiller ligou estética à formação moral do homem por meio do jogo estético.
- Hegel considerou a arte como manifestação do Espírito absoluto em sua etapa sensível.
- A história da arte foi apresentada como evolução dialética das formas simbólica, clássica e romântica.
8. Estética Romântica e Pós-romântica
- A ênfase deslocou-se para o gênio criador, a imaginação e a subjetividade do artista.
- A obra de arte passou a ser vista como expressão individual, singular e irrepetível.
- A natureza foi tomada como reflexo do estado emocional do sujeito.
9. Estética no Século XIX
- O positivismo e o naturalismo influenciaram teorias da arte como reflexo social.
- A teoria do belo foi questionada por autores como Nietzsche, que valorizou o trágico e o dionisíaco.
- A crítica de arte tornou-se um campo autônomo, com pensadores como Ruskin e Baudelaire.
10. Estética no Século XX
- Diversificação dos paradigmas: fenomenologia, marxismo, formalismo, estruturalismo e pós-estruturalismo.
- A noção de belo foi substituída por categorias como forma, experiência estética, ruptura e crítica cultural.
- A estética passou a abarcar objetos não artísticos, cultura de massa e comunicação.

