Não existe uma única maneira de viver de arte e o mesmo vale para a curadoria. As possibilidades que reunimos aqui não formam uma receita, mas sim um leque de caminhos que podem se cruzar, se sobrepor ou se transformar ao longo do tempo. Algumas dessas ideias são mais viáveis para curadores iniciantes; outras envolvem acúmulo de experiência, rede de contatos ou reconhecimento institucional. Há sugestões que combinam com pessoas mais comunicativas e extrovertidas, outras, com quem prefere um trabalho mais introspectivo, de pesquisa e bastidores.
Cada trajetória é única, e construir uma carreira em curadoria exige tempo, estudo e muita escuta. Também sabemos que privilégios estruturais influenciam (e muito) o acesso a oportunidades, a estabilidade financeira e o reconhecimento. Reconhecer essas diferenças é parte do processo de repensar o campo da arte com mais responsabilidade e cuidado.
Ainda assim, esperamos que este guia sirva como um ponto de partida para quem deseja seguir construindo um caminho possível (e sustentável) dentro da curadoria.
1. Atuando com curadoria
O caminho mais direto é trabalhar como curador(a) em exposições, festivais, mostras e projetos culturais. Isso pode acontecer de forma independente, em coletivos ou por meio de convites de instituições. A remuneração varia bastante, mas é fundamental defender a valorização da função curatorial em todos os tipos de projeto.
2. Escrevendo para revistas e periódicos especializados
Muitos curadores também atuam como críticos e ensaístas, publicando textos em revistas, sites, catálogos e periódicos acadêmicos. A escrita crítica é uma extensão do pensamento curatorial e pode gerar renda, visibilidade e articulação com outros campos.
3. Participando de eventos acadêmicos
Congressos, colóquios e seminários são espaços importantes para apresentar pesquisas, compartilhar experiências e fortalecer redes. Alguns eventos oferecem cachês, ajuda de custo ou bolsas para participantes, além de abrirem portas para colaborações futuras.
4. Desenvolvendo pesquisas para instituições
Museus, centros culturais, acervos e organizações culturais contratam curadores para desenvolver pesquisas sobre artistas, coleções, exposições ou temas específicos. Essas colaborações costumam envolver contratos temporários, bolsas ou parcerias institucionais.
5. Produzindo catálogo raisonné
Uma atividade mais rara, mas essencial no circuito da arte, é a produção de catalogue raisonné, ou seja, a catalogação completa da obra de um(a) artista. Curadores podem ser convidados para liderar esse processo, que envolve pesquisa minuciosa, entrevistas, análise técnica e organização editorial.
6. Inscrevendo projetos de curadoria em editais
Os editais públicos e privados são uma importante via de fomento para projetos curatoriais. Curadores podem propor exposições, programas públicos, plataformas digitais ou publicações autorais, e receber recursos para sua realização. Acompanhar essas oportunidades é essencial.
7. Atuando como pesquisador em instituições acadêmicas
Muitos curadores também são pesquisadores vinculados a universidades, centros de pesquisa ou grupos de estudo. A atuação pode acontecer por meio de bolsas de mestrado, doutorado ou pós-doc, com financiamento de órgãos como Capes, CNPq ou Fapesp.
8. Dando aulas de história da arte
A docência é um caminho sólido para curadores com formação acadêmica. Aulas em escolas, universidades ou cursos livres permitem compartilhar conhecimento, manter-se em diálogo com novas gerações e complementar a renda de forma consistente.
9. Fazendo acompanhamento artístico
Assim como artistas mais experientes, curadores também podem atuar como mentores e acompanhantes críticos de outros artistas, oferecendo escuta, feedback e orientação para projetos em desenvolvimento, portfólios e trajetórias profissionais.
10. Criando conteúdo sobre arte para redes sociais e portais
Cada vez mais, curadores também assumem o papel de comunicadores, escrevendo para blogs, desenvolvendo projetos de conteúdo para instituições ou criando perfis autorais no Instagram, TikTok ou YouTube voltados à mediação cultural. Esse trabalho pode envolver parcerias, publis e patrocínios.
11. Atuar com seleção em editais
Além de inscrever projetos, curadores também podem ser convidados a compor comissões de seleção em editais públicos ou privados. Essa atuação envolve a leitura crítica de propostas, avaliação técnica e conceitual, e participação em bancas ou júris. É uma forma de contribuir com a construção de políticas culturais mais justas e plurais — e também de gerar renda dentro do próprio sistema de fomento à arte.