Patrimônio cultural é o conjunto de bens, materiais e imateriais, que representam a memória, a identidade e a história de um povo. Ele é formado por manifestações culturais que são reconhecidas socialmente por seu valor simbólico, histórico, estético ou afetivo. Esses bens podem ser edificações, sítios arqueológicos, obras de arte, documentos, práticas, saberes, modos de fazer, festas, músicas, danças, línguas, culinárias e outros elementos que carregam significados compartilhados por uma comunidade.
No Brasil, a Constituição Federal de 1988 ampliou significativamente o conceito de patrimônio cultural ao reconhecer tanto as expressões materiais quanto as imateriais. Segundo o artigo 216, fazem parte do patrimônio cultural brasileiro “os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”. Essa definição reforça o caráter plural e dinâmico da cultura, reconhecendo as diferentes contribuições dos povos indígenas, africanos, europeus e de outras matrizes culturais para a formação do país.
A preservação do patrimônio cultural envolve tanto ações de proteção legal quanto práticas de salvaguarda. No caso dos bens materiais, isso pode significar tombamento, restauração e conservação física. Já para os bens imateriais, a política pública envolve o reconhecimento por meio de registros e a promoção da continuidade das práticas culturais, muitas vezes ameaçadas por processos de modernização, urbanização e homogeneização cultural.
O conceito de patrimônio cultural também está intimamente ligado à noção de pertencimento. É a própria sociedade que reconhece o que é significativo para sua memória e identidade, sendo o patrimônio um reflexo das relações sociais, das disputas simbólicas e dos processos históricos que atravessam um grupo. Por isso, o patrimônio cultural não é algo estático, mas sim um campo em constante transformação, onde novos bens podem ser reconhecidos e antigas referências podem ser ressignificadas.
A abordagem contemporânea sobre patrimônio cultural destaca ainda a importância da participação social nas decisões sobre o que deve ser preservado. O papel das comunidades locais, dos grupos tradicionais e das populações envolvidas com as práticas culturais é fundamental para garantir que a preservação não seja imposta de forma autoritária, mas construída de maneira dialógica, respeitando os significados atribuídos pelas próprias pessoas aos seus bens culturais.
Por fim, é importante reconhecer que o patrimônio cultural é um instrumento potente para a valorização da diversidade cultural, a promoção da cidadania e o fortalecimento de vínculos sociais. Sua preservação está diretamente relacionada ao direito à memória e à identidade, compondo uma dimensão fundamental das políticas culturais em nível local, nacional e internacional.