Coletivos de artistas visuais no Brasil: práticas coletivas, territórios e experimentações estéticas

A organização coletiva tem sido uma das formas mais potentes de ação na arte contemporânea brasileira. Frente à desigualdade de acesso, à concentração institucional e à exclusão histórica de narrativas dissidentes, os coletivos se constituem como espaços de criação compartilhada, articulação política e produção de novos imaginários. Atuando em diferentes linguagens, regiões e contextos sociais, esses grupos experimentam modos de fazer que vão além do objeto artístico e propõem relações mais horizontais entre arte, território e comunidade.

Neste conteúdo, reunimos coletivos de artistas visuais que atuam no Brasil e desenvolvem propostas críticas, colaborativas e conectadas com seus contextos. Do ativismo urbano à pintura indígena, da performance periférica à arte relacional, os grupos aqui apresentados compartilham o desejo de romper com modelos tradicionais de autoria e institucionalidade.

Coletivo Coletores

O Coletivo Coletores foi fundado em 2008 na periferia da Zona Leste de São Paulo por Toni Baptiste e Flávio Camargo, com foco em intervenções urbanas, arte-educação e direito à cidade. O grupo atua em favelas, ocupações e espaços públicos, além de participar de eventos como SPURBAN, FILE e Bienal de Dakar, buscando repensar os modos de presença da arte contemporânea na cidade.

Os artistas mantêm vocação pedagógica por meio de oficinas e colaborações com instituições acadêmicas e culturais como USP, UFRN e Feira Preta. Também operam no espaço institucional, firmando parcerias com ateliês, festivais e marcas para expandir o alcance de suas ações.

Coletivo Trovoa

O Trovoa é um coletivo nacional criado por artistas e curadoras racializadas desde 2017, espalhado por diversos estados do país. O grupo busca criar redes territoriais de apoio e protagonismo para artistas negras e não brancas, promovendo visibilidade e atuação conjunta .

Entre suas iniciativas estão o “Censo Nacional TROVOA” (2021), que mapeou artistas, curadoras e educadoras racializadas, e diversas mostras regionais em circuitos culturais. O coletivo busca também fortalecer a presença institucional e assegurar remuneração equitativa por trabalhos curatoriais e artísticos.

Coletivo Kókir

O Coletivo Kókir reúne os artistas Tadeu dos Santos e Sheilla Souza, aproximando arte contemporânea e cultura Kaingang. “Kókir” significa “fome” na língua Kaingang, e o coletivo cria obras que tensionam escassez, identidade e memória, articulando uma poética entre o metafórico e o real.

Em 2025, apresentou exposição individual em São Paulo (março–maio), e seu catálogo “Krecidade” circulou na Holanda em 2022. O trabalho oscila entre instalação e objetos trançados, revelando processos culturais e diálogos entre práticas tradicionais e contemporâneas.

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Opalinará!

Opavivará!, fundado em 2005 por cinco artistas plásticos do Rio de Janeiro, desenvolve ações em território urbano, galerias e instituições culturais. As intervenções estimulam cooperação e ressignificação de espaços públicos por meio de dispositivos relacionais e artísticos.

As práticas incluem “Pulacerca” (2009), “Praça de Alimentação Pública” (2012), além de exposições internacionais em Montpelier, Basel e Roma. O coletivo assina peças relacionais como redes e instalações vivenciais, valorizando cartografias cotidianas e corpóreas.

Coletivo Waçá-wara

O Coletivo Waçá-wara surgiu em 2017 a partir do Festival Corpus Urbis na Terra Indígena Uaçá (Oiapoque), reunindo cerca de 47 artistas de povos Karipuna, Galibi e Palikur. O grupo trabalha com grafismos tradicionais e contemporâneos, conectando arte indígena ao espaço urbano.

As intervenções apontam para a visibilidade de expressões estéticas autóctones, manifestadas em exposições na assembleia da COIAB e mostra no Sesc Amazônia. A iniciativa articula transmissão de saberes, fortalecimento cultural e representatividade nos territórios originais e nas metrópoles.

MAHKU (Movimento dos Artistas Huni Kuin)

Fundado em 2013 na região do Rio Jordão (AC), o MAHKU reúne artistas e pesquisadores Huni Kuin com o propósito de traduzir mitos, cantos e visões indígenas em pintura, desenho e mural.

O coletivo desenvolve oficinas, pinturas murais comunitárias e construções simbólicas que articulam conhecimentos ancestrais. Participou da Bienal de Veneza (2024) e do MASP (2023), e destina parte da renda da venda de obras à compra de terras, afirmando estratégias de autonomia cultural e proteção territorial.

Vilanismos

O Vilanismos é um coletivo formado por homens pretos periféricos, criado em 2021 para enfrentar invisibilidades e reavivar sonhos de vida digna por meio da arte. Desde então, atua como rede de apoio criativo e político em São Paulo.

O grupo realiza ateliês, exposições e festas como o “Baile do Vilanismo”, gerando momentos de arte, música e troca. Sua atuação busca ocupar espaço institucional e criar repertórios estéticos que resultem em carreiras sustentáveis e coletivo fortalecimento.

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