Em tópicos: Arte e ditadura

Durante os 21 anos da ditadura militar no Brasil (1964–1985), a arte tornou-se um espaço de tensão, enfrentamento e invenção. Censura, perseguições, exílios e desaparecimentos marcaram o período — mas também impulsionaram uma produção artística corajosa, feita de gestos simbólicos, linguagens indiretas e novas formas de resistência.

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Entre performances, arte postal, vídeos e objetos do cotidiano, artistas como Letícia Parente, Artur Barrio, Cildo Meireles e Sonia Andrade propuseram ações poéticas e políticas para enfrentar o silêncio imposto pelo regime. Neste texto, você vai entender como a arte resistiu à repressão e como esse legado ainda ressoa na memória cultural do Brasil.

  1. O golpe de 1964 e o início da repressão
    Em 1964, um golpe militar instaurou uma ditadura no Brasil que duraria até 1985. A censura, a perseguição política e a violência do Estado afetaram diretamente a produção cultural e artística do período.
  2. A arte como forma de resistência
    Diante da repressão, muitos artistas passaram a produzir obras que, mesmo sem declarar abertamente seu teor político, expressavam desconforto, denúncia e crítica ao regime.
  3. Censura institucionalizada a partir de 1968
    Com o AI-5, a censura se intensificou. Peças teatrais foram proibidas, filmes censurados e exposições canceladas. A arte visual, por sua ambiguidade, muitas vezes driblava o controle estatal.
  4. O corpo como campo de batalha simbólico
    Artistas passaram a usar o próprio corpo como suporte para denunciar a violência e a opressão. A performance e o vídeo surgem como meios de expressão direta e difícil de controlar.
  5. Letícia Parente e a crítica silenciosa
    Em vídeos como Marca Registrada, Parente transforma o corpo em território político, costurando a frase “Made in Brazil” na sola do pé — uma metáfora potente da dor e da opressão silenciosa.
  6. Cildo Meireles e a circulação crítica
    Em obras como Inserções em Circuitos Ideológicos, Meireles utilizou objetos do cotidiano — como cédulas e garrafas — para espalhar mensagens críticas que escapavam à censura.
  7. Artur Barrio e a estética da urgência
    Em Trouxas Ensanguentadas, Barrio espalha pacotes com panos, sangue e carne em locais públicos, simulando corpos. A obra confronta diretamente a violência institucional sem precisar dizer uma palavra.
  8. Paulo Bruscky e a arte postal
    Impossibilitado de circular livremente, Bruscky usava o correio como meio de difusão de sua obra, participando de redes internacionais de arte e resistência em plena repressão.
  9. Sonia Andrade e a linguagem do vídeo
    Andrade utilizou o vídeo como meio para criticar a alienação e o controle dos corpos. Suas obras investigam o gesto, a repetição e a obediência como mecanismos de opressão.
  10. Teatro, música e artes visuais: redes de resistência
    A produção cultural resistia em várias frentes — com grupos de teatro de rua, músicos como Chico Buarque e obras visuais que tensionavam a ideia de arte como adorno ou espetáculo.
  11. A arte não figurativa também resistia
    Mesmo artistas que não abordavam diretamente temas políticos contribuíram para a resistência cultural ao explorar formas livres, processos coletivos e linguagens experimentais.
  12. Museus e instituições em disputa
    Durante a ditadura, instituições culturais também foram tensionadas: ora censuravam, ora abrigavam artistas perseguidos. Algumas galerias e espaços independentes tornaram-se pontos de encontro e crítica.
  13. A arte no exílio
    Muitos artistas foram exilados ou censurados. No exterior, continuaram produzindo, denunciando o regime brasileiro e participando de redes internacionais de arte e ativismo.
  14. A ambiguidade como estratégia de sobrevivência
    Para escapar da censura, artistas recorriam à metáfora, ao símbolo e à linguagem indireta. A polissemia da arte visual foi uma aliada para fazer crítica onde não era permitido falar.
  15. A censura da exposição “Do corpo à terra” (1970)
    Em 1970, em plena ditadura, a mostra Do corpo à terra foi realizada em Belo Horizonte como parte da 1ª Semana de Arte Contemporânea da cidade. A exposição, que reunia ações e obras experimentais de artistas como Artur Barrio, Cildo Meireles e Ivald Granato, foi alvo de repressão e monitoramento pelo regime. Algumas ações, como a de Barrio (Situação T/T1), foram vistas como ameaças à ordem pública. Apesar da repressão, a mostra marcou um momento histórico de resistência coletiva e é lembrada como um dos eventos mais radicais da arte brasileira sob o regime militar.
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