A Bienal de São Paulo é uma das mais importantes exposições de arte contemporânea do mundo e a principal do hemisfério sul. Criada em 1951, ela acontece a cada dois anos no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, e tem como objetivo promover o intercâmbio entre a arte brasileira e a cena internacional.
Ao longo de suas mais de 70 anos de história, a Bienal acompanhou transformações políticas, estéticas e culturais do Brasil e do mundo, sendo palco de experimentações, polêmicas, rupturas e reinvenções.
Este guia foi pensado para reunir, de forma acessível, tudo o que você precisa saber sobre a Bienal de São Paulo: seu início, sua trajetória e uma síntese de todas as edições já realizadas.
Bienal de São Paulo: guia completo
A Bienal de São Paulo é uma das mais importantes exposições de arte contemporânea do mundo e a principal da América Latina. Criada em 1951, ela acontece a cada dois anos no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, com o objetivo de promover o intercâmbio entre a arte brasileira e a cena internacional. Ao longo de suas mais de 70 anos de história, a Bienal acompanhou transformações políticas, estéticas e culturais do Brasil e do mundo, sendo palco de experimentações, polêmicas, rupturas e reinvenções. Este guia reúne informações sobre a origem da Bienal, sua evolução, os prêmios concedidos e uma síntese de todas as edições já realizadas.
Das primeiras edições até hoje
A Bienal de São Paulo foi idealizada pelo empresário e mecenas Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo Matarazzo, com apoio de sua esposa Yolanda Penteado. Inspirado pela Bienal de Veneza, ele buscava criar um evento que colocasse o Brasil no circuito internacional das artes. A primeira edição, realizada em 1951, contou com a participação de 23 países e apresentou obras de artistas como Pablo Picasso, cuja obra “Guernica” foi exibida pela primeira vez no Brasil na segunda edição, em 1953. Inicialmente organizada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), a Bienal tinha caráter competitivo e concedia prêmios aos artistas participantes.
Atualmente, a Bienal é organizada pela Fundação Bienal de São Paulo, criada em 1962. O evento deixou de ter caráter competitivo a partir da 16ª edição, em 1981, e passou a ser estruturado por curadorias temáticas, refletindo questões contemporâneas e promovendo diálogos entre diferentes linguagens artísticas. A Bienal tornou-se um espaço de experimentação e reflexão, abordando temas como identidade, política, meio ambiente e tecnologia. A entrada é gratuita, e o evento atrai centenas de milhares de visitantes a cada edição.
Nas primeiras edições, a Bienal de São Paulo concedia prêmios de aquisição com o objetivo de formar um acervo de arte moderna e contemporânea para o MAM-SP. Entre os prêmios concedidos estavam o de Melhor Participação Nacional, Melhor Participação Internacional e Prêmios de Aquisição para artistas individuais. Esses prêmios foram descontinuados a partir da 16ª edição, em 1981, quando a Bienal passou a adotar uma abordagem não competitiva.
A história da localização da Bienal de São Paulo
A primeira Bienal de São Paulo, em 1951, foi realizada na sede do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), então localizada na rua Sete de Abril, no centro da cidade. O evento teve tamanho impacto que, já na segunda edição, em 1953, foi transferido para o Parque Ibirapuera, mesmo antes da inauguração oficial do parque, prevista para o ano seguinte.
A mudança marcou um novo momento: buscava-se criar um espaço permanente dedicado à arte moderna e contemporânea. Em 1957, com a 4ª Bienal, a Fundação Bienal passou a ocupar o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, um edifício modernista projetado por Oscar Niemeyer com jardins de Burle Marx, especialmente concebido para abrigar exposições de grande porte no coração do Ibirapuera.
Desde então, o pavilhão tornou-se sede fixa da Bienal de São Paulo, consolidando-se como símbolo da arte contemporânea nacional e um dos principais marcos da cena artística global.
As curadorias mais transformadoras da Bienal de São Paulo
Desde sua primeira edição, em 1951, a Bienal de São Paulo tem passado por diversas reformulações em seu modelo curatorial. Se, por um lado, as primeiras edições seguiam um formato mais tradicional e eurocêntrico com a presença de jurados, prêmios e representações nacionais, a partir dos anos 1990, as curadorias passaram a refletir com mais intensidade os debates contemporâneos em torno da arte, da política, da memória e da descentralização.
Selecionamos três edições que representaram verdadeiras viradas curatoriais na história da Bienal:
24ª Bienal (1998) — “A vertigem da contemporaneidade”, curadoria de Paulo Herkenhoff
A edição de 1998 foi um divisor de águas. Com o tema “A antropofagia como método”, Herkenhoff propôs uma leitura crítica do modernismo brasileiro, reposicionando a Bienal como um espaço de debate simbólico e político. O famoso “Núcleo Histórico” reuniu obras de diversas épocas e lugares em torno da ideia de antropofagia cultural, recuperando o Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade como método curatorial. A proposta não separava arte por países ou linguagens, o que rompeu com o modelo nacionalista e organizacional vigente. Foi uma Bienal densa, crítica, e altamente elogiada internacionalmente.
27ª Bienal (2006) — “Como viver junto”, curadoria de Lisette Lagnado
Inspirada nas aulas de Roland Barthes no Collège de France, a curadoria de Lisette Lagnado propôs um percurso construído em torno da convivência, tanto entre obras quanto entre corpos, contextos e modos de vida. A mostra aboliu as representações nacionais e privilegiou artistas com práticas colaborativas, relacionais ou engajadas com questões sociais. Também foi uma das primeiras edições a aprofundar os vínculos entre arte e arquitetura, e a destacar o papel do espectador como agente do percurso. A presença de obras como “Projeto Morrinho” e a performance de artistas como Tania Bruguera marcaram essa edição como uma das mais abertas ao inesperado e ao cotidiano.
35ª Bienal (2023) — “Coreografias do impossível”, curadoria de Diane Lima, Grada Kilomba, Hélio Menezes e Manuel Borja-Villel
Com um inédito coletivo de quatro curadores, a Bienal de 2023 apostou numa curadoria radicalmente comprometida com práticas decoloniais, antirracistas e pluriepistêmicas. A proposta rejeitou os binarismos clássicos (arte e política, centro e periferia, curadoria e educação) e apostou em coreografias curatoriais que criaram encontros inesperados entre obras, sons, vozes e documentos. A descentralização da autoridade curatorial e o destaque para artistas racializados, indígenas e com obras muitas vezes invisibilizadas marcaram uma reconfiguração potente da Bienal como espaço de escuta, presença e insurgência.
Edições da Bienal de São Paulo
1ª Bienal
Data: 20 Out – 23 Dez, 1951
Curadoria/Direção: Lourival Gomes Machado
Artistas: 729
Obras: 1854
Países participantes: 25
2ª Bienal
Data: 13 Dez – 26 Fev, 1953
Curadoria/Direção: Sérgio Milliet, Wolfgang Pfeiffer
Artistas: 712
Obras: 3374
Países participantes: 33
3ª Bienal
Data: 2 Jul – 12 Out, 1955
Curadoria/Direção: Sérgio Milliet, Wolfgang Pfeiffer
Artistas: 463
Obras: 2074
Países participantes: 31
4ª Bienal
Data: 22 Set – 30 Dez, 1957
Curadoria/Direção: Sérgio Milliet, Wolfgang Pfeiffer
Artistas: 599
Obras: 3800
Países participantes: 43
5ª Bienal
Data: 21 Set – 31 Dez, 1959
Curadoria/Direção: Lourival Gomes Machado
Artistas: 689
Obras: 3804
Países participantes: 47
6ª Bienal
Data: 1 Out – 31 Dez, 1961
Curadoria/Direção: Mário Pedrosa
Artistas: 681
Obras: 4990
Países participantes: 50
7ª Bienal
Data: 28 Set – 22 Dez, 1963
Curadoria/Direção: Mário Pedrosa
Artistas: 625
Obras: 4131
Países participantes: 55
8ª Bienal
Data: 4 Set – 28 Nov, 1965
Curadoria/Direção: Mário Pedrosa
Artistas: 653
Obras: 4054
Países participantes: 54
9ª Bienal
Data: 22 Set – 8 Dez, 1967
Curadoria/Direção: Alfredo Mesquita, Geraldo Ferraz, etc.
Artistas: 956
Obras: 4638
Países participantes: 63
10ª Bienal
Data: 27 Set – 14 Dez, 1969
Curadoria/Direção: Comissão Técnica de Arte
Artistas: 446
Obras: 2572
Países participantes: 53
11ª Bienal
Data: 4 Set – 15 Nov, 1971
Curadoria/Direção: Comissão Técnica de Arte
Artistas: 351
Obras: 2459
Países participantes: 57
12ª Bienal
Data: 5 Out – 2 Dez, 1973
Curadoria/Direção: Antonio Bento, Vilém Flusser, etc.
Artistas: 468
Obras: 2484
Países participantes: 49
13ª Bienal
Data: 17 Out – 14 Dez, 1975
Curadoria/Direção: Conselho de Arte e Cultura
Artistas: 280
Obras: 1579
Países participantes: 43
14ª Bienal
Data: 1 Out – 30 Nov, 1977
Curadoria/Direção: Conselho de Arte e Cultura
Artistas: 302
Obras: 476
Países participantes: 36
15ª Bienal
Data: 3 Out – 16 Dez, 1979
Curadoria/Direção: Conselho de Arte e Cultura
Artistas: 158
Obras: 302
Países participantes: 43
16ª Bienal
Data: 16 Out – 20 Dez, 1981
Curadoria/Direção: Walter Zanini
Artistas: 213
Obras: 1766
Países participantes: 32
17ª Bienal
Data: 14 Out – 18 Dez, 1983
Curadoria/Direção: Walter Zanini
Artistas: 187
Obras: 1650
Países participantes: 43
18ª Bienal
Data: 4 Out – 15 Dez, 1985
Curadoria/Direção: Sheila Leirner
Artistas: 214
Obras: 1674
Países participantes: 45
19ª Bienal
Data: 2 Out – 13 Dez, 1987
Curadoria/Direção: Sheila Leirner
Artistas: 215
Obras: 1740
Países participantes: 53
20ª Bienal
Data: 14 Out – 10 Dez, 1989
Curadoria/Direção: Carlos von Schmidt, etc.
Artistas: 143
Obras: 1824
Países participantes: 41
21ª Bienal
Data: 21 Set – 10 Dez, 1991
Curadoria/Direção: João Cândido Galvão
Artistas: 144
Obras: 1028
Países participantes: 32
22ª Bienal
Data: 12 Out – 11 Dez, 1994
Curadoria/Direção: Nelson Aguilar
Artistas: 206
Obras: 972
Países participantes: 70
23ª Bienal
Data: 5 Out – 8 Dez, 1996
Curadoria/Direção: Nelson Aguilar
Artistas: 134
Obras: 1181
Países participantes: 75
24ª Bienal
Data: 3 Out – 3 Dez, 1998
Curadoria/Direção: Paulo Herkenhoff
Artistas: 326
Obras: 1140
Países participantes: 54
25ª Bienal
Data: 23 Mar – 2 Jun, 2002
Curadoria/Direção: Alfons Hug
Artistas: 194
Obras: 546
Países participantes: 68
26ª Bienal
Data: 25 Set – 19 Dez, 2004
Curadoria/Direção: Alfons Hug
Artistas: 141
Obras: 400
Países participantes: 61
27ª Bienal
Data: 7 Out – 17 Dez, 2006
Curadoria/Direção: Lisette Lagnado
Artistas: 118
Obras: 645
Países participantes: 51
28ª Bienal
Data: 26 Out – 6 Dez, 2008
Curadoria/Direção: Ivo Mesquita
Artistas: 41
Obras: 54
Países participantes: 20
29ª Bienal
Data: 25 Set – 12 Dez, 2010
Curadoria/Direção: Agnaldo Farias, Moacir dos Anjos
Artistas: 159
Obras: 850
Países participantes: 40
30ª Bienal
Data: 7 Set – 7 Dez, 2012
Curadoria/Direção: Luis Pérez-Oramas
Artistas: 111
Obras: 3796
Países participantes: 31
31ª Bienal
Data: 6 Set – 7 Dez, 2014
Curadoria/Direção: Charles Esche, etc.
Artistas: 69
Obras: 81
Países participantes: 34
32ª Bienal
Data: 7 Set – 11 Dez, 2016
Curadoria/Direção: Jochen Volz
Artistas: 81
Obras: 415
Países participantes: 33
33ª Bienal
Data: 7 Set – 9 Dez, 2018
Curadoria/Direção: Gabriel Pérez-Barreiro
Artistas: 105
Obras: 740
Países participantes: 28
34ª Bienal
Data: 4 Set – 5 Dez, 2021
Curadoria/Direção: Jacopo Crivelli Visconti
Artistas: 91
Obras: 1100
Países participantes: 39
35ª Bienal
Data: 6 Set – 10 Dez, 2023
Curadoria/Direção: Diane Lima, Grada Kilomba, etc.
Artistas: 121
Obras: 1100
Países participantes: Não informado

