O que é Land art

A Land Art, também chamada de Earth Art ou Arte da Terra, é um movimento artístico que surgiu nos Estados Unidos no final dos anos 1960 e propôs uma ruptura radical com os suportes tradicionais da arte ocidental. Seus artistas não queriam mais as paredes do museu ou a neutralidade da galeria. Eles queriam o deserto, a terra, as rochas, o céu.

A linguagem é uma prática que faz do ambiente natural o próprio corpo da obra. Ao invés de representar a paisagem, a Land Art a incorpora, intervém nela ou a transforma poeticamente. Em muitos casos, a obra não pode ser transportada ou comercializada. Ela existe em um lugar específico, muitas vezes isolado, e está sujeita à ação do tempo, das estações, da erosão, da presença humana ou animal. A Land Art nasce em diálogo com dois movimentos fundamentais da década de 1960: o Minimalismo e a Arte Conceitual. Do primeiro, herda o interesse pela escala, pela repetição e pela geometria austera. Do segundo, a primazia da ideia sobre o objeto e a recusa ao fetichismo do mercado da arte.

Como aponta Alan Sonfist, organizador da antologia Art in the Land, esse movimento surgiu de uma crescente consciência ecológica, em um momento em que a arte se reorientava em direção ao espaço, ao ambiente e à vida cotidiana. Para ele, artistas como Smithson, Holt, Heizer ou Denes não só expandiram os limites da escultura, como também colocaram em questão nossa relação com o mundo natural, com o território e com o tempo.

O termo Land Art foi, de fato, cunhado pelo cineasta e produtor de televisão alemão Gerry Schum, em 1969, quando lançou o episódio Land Art para sua série televisiva “Fernsehgalerie Gerry Schum” (Galeria de TV). Essa série foi uma das primeiras tentativas de veicular arte contemporânea diretamente na televisão, sem mediações curatoriais tradicionais. No episódio Land Art, Schum reuniu trabalhos de artistas como Robert Smithson, Richard Long, Dennis Oppenheim, Walter De Maria e Michael Heizer, apresentando registros em vídeo de obras realizadas diretamente na paisagem. Foi nesse contexto que o termo foi usado para descrever obras que não apenas estavam na natureza, mas que eram intrinsecamente moldadas por ela, fundindo meio, suporte e conteúdo.

Um gesto geológico

O historiador Joshua C. Taylor observa que a paisagem já era tema da arte americana desde o século XIX, mas sua representação obedecia aos códigos da pintura romântica. A Land Art, por outro lado, abandona a representação e assume um gesto geológico, físico, conceitual. Ela atua sobre a paisagem. Para muitos desses artistas, o interesse não é apenas plástico. É também cosmológico. Trata-se de inscrever o corpo humano e o gesto artístico numa escala planetária, quase arqueológica.

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Em um de seus trabalhos, Walter De Maria planta 400 hastes de aço no deserto do Novo México (The Lightning Field, 1977), criando um campo que só revela sua escala com o deslocamento do corpo. Robert Smithson constrói uma espiral com pedras negras sobre o Grande Lago Salgado de Utah (Spiral Jetty, 1970), um gesto de geometria primitiva que se esconde e reaparece com a variação da maré.

Duas vertentes: monumento e regeneração

Carol Hall, em seu ensaio sobre as origens do movimento, propõe uma distinção importante: de um lado, há os artistas que operam em escala monumental com máquinas industriais, evocando uma tradição de conquista do território. De outro, há os que buscam uma relação sensível com a natureza, interferindo o mínimo possível no ambiente e propondo formas de regeneração.

Entre os primeiros, destacam-se Michael Heizer (Double Negative, 1969) e Robert Morris. Entre os segundos, Alan Sonfist (Time Landscape, 1978), Agnes Denes (Wheatfield – A Confrontation, 1982), e o casal Helen e Newton Harrison, que usaram a arte como instrumento de pesquisa ambiental e ativismo ecológico.

Essa divisão, no entanto, não é estanque. Muitos artistas transitam entre as duas abordagens, e a Land Art contemporânea parece cada vez mais inclinar-se à segunda vertente, como aquela que vê o território como organismo vivo e interdependente.

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