Viver de arte é um desejo tão legítimo quanto desafiante. Para muitos artistas, transformar a prática criativa em sustento ainda parece uma equação instável, seja pela desvalorização histórica da profissão, seja pelas estruturas precárias que sustentam o sistema da arte. Mas é possível, sim, viver de arte. E, mais do que isso, é possível inventar maneiras plurais de construir uma trajetória profissional conectada à criação, à autonomia e ao coletivo.
Vale começar esse texto reforçando: o mundo ideal é que o artista possa ser remunerado pela sua produção artística tanto na venda quanto na institucionalização de sua obra. Entretanto, sabemos que isso não é o que acontece na prática para a maioria dos artistas. Então vamos pensar juntos em alternativas!
1. Vendendo sua obra
A venda direta de obras é, talvez, o caminho mais evidente, mas também um dos mais desafiadores, especialmente para artistas que estão iniciando a carreira. Isso pode acontecer por meio de exposições, feiras, redes sociais, lojas virtuais, sites próprios ou parcerias com galerias. O importante é entender que a comercialização do trabalho também faz parte do processo artístico.
2. Recebendo cachê para expor em exposições
Apesar de ainda ser uma prática pouco comum, artistas deveriam ser remunerados por participarem de exposições, afinal, estão emprestando sua obra, seu tempo e seu nome a um projeto curatorial. Defendemos aqui que o cachê artístico precisa ser parte integrante do orçamento de exposições, sobretudo aquelas financiadas por leis de incentivo, museus e instituições culturais.
3. Atuando como assistente de artistas mais experientes
Muitos artistas constroem suas primeiras experiências profissionais atuando como assistentes de ateliê. É uma forma de aprender com a prática, entender os bastidores da produção artística e, ao mesmo tempo, garantir uma fonte de renda compatível com sua área de atuação.
4. Oferecendo acompanhamento artístico
Artistas com mais tempo de estrada podem oferecer mentorias, oficinas e acompanhamentos para colegas em início de trajetória. Essa troca gera renda, mas também fortalece redes horizontais de apoio e aprendizado mútuo, o que é essencial num campo ainda tão competitivo e solitário.
5. Participando de feiras independentes
Feiras de arte independentes e autorais, como as que acontecem em centros culturais, praças e eventos autônomos, são ótimos espaços para apresentar e vender obras, fazer contatos e circular em outras cenas. Além disso, costumam ter custos mais acessíveis do que o circuito institucional.
6. Se inscrevendo em editais e chamadas públicas
Editais são, hoje, uma das principais fontes de fomento para artistas visuais no Brasil. Ainda que exigentes (e muitas vezes burocráticos), eles oferecem cachês, bolsas, prêmios ou recursos para produção. Vale a pena acompanhar portais de arte e cultura e os sites das secretarias de cultura.
7. Dando aulas de forma independente
Muitos artistas oferecem oficinas, cursos e grupos de estudo em seus próprios ateliês ou em espaços culturais parceiros. A experiência de ensinar pode ser uma extensão potente da prática artística, além de uma alternativa viável de renda recorrente.
8. Trabalhando como docente em escolas e universidades
Para artistas com formação acadêmica e pesquisa consolidada, o campo da docência pode ser uma forma estável de trabalhar com arte, principalmente em cursos de artes visuais, design, moda ou áreas correlatas. Além disso, o ambiente universitário favorece a continuidade de projetos autorais e colaborações institucionais.