Destaques no SML Art Market Talent Report: Panorama do Talento no Mercado de Arte

O SML Art Market Talent Report é uma análise anual conduzida pela SML, uma consultoria especializada em recrutamento e talentos para o mercado da arte e cultura. O relatório reúne dados quantitativos e qualitativos coletados ao longo do ano a partir de entrevistas, levantamentos com profissionais do setor, e observações diretas das movimentações do mercado global de arte.

O relatório é resultado de uma pesquisa sobre talentos e tendências no mercado de arte global. Seu objetivo é mapear as condições salariais, benefícios, mobilidade e satisfação de profissionais atuantes em diferentes segmentos do ecossistema da arte. Além disso, é fonte de informação para identificar os principais desafios e oportunidades nas diversas áreas que compõem o ecossistema da arte contemporânea. O relatório serve tanto como um termômetro para quem atua no setor quanto como uma ferramenta estratégica para empresas, galerias, museus e profissionais independentes.

1. Trends

  • Crescimento da Instabilidade: Cerca de 33% dos profissionais relataram mudança de emprego no último ano, um dado que reflete tanto a rotatividade quanto o desejo por melhores condições.
  • Mobilidade geográfica: 53% dos entrevistados afirmaram que considerariam se mudar de país por uma oportunidade de trabalho mais vantajosa.
  • Falta de transparência salarial: 72% acreditam que salários deveriam ser mais abertamente discutidos no setor.
  • Burnout e insatisfação: Apenas 27% se sentem bem recompensados pelo seu trabalho. A sobrecarga é uma queixa comum, especialmente entre mulheres e pessoas racializadas.

2. Art Advisories

  • Perfil profissional: A maioria atua de forma independente ou em pequenas equipes.
  • Salário: A média salarial global é de £52.000 anuais, mas esse valor varia conforme a senioridade e a localização geográfica.
  • Mulheres são maioria: 75% dos respondentes que atuam como art advisors se identificam como mulheres.
  • Desafios: O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é uma preocupação crescente nesse segmento, onde a disponibilidade para clientes é constante.

3. Art Fairs

  • Carga de trabalho elevada: A rotina inclui longas jornadas, especialmente nas semanas de feira.
  • Remuneração: Salários variam bastante. Assistentes podem ganhar cerca de £26.000, enquanto cargos de direção chegam a £80.000 ou mais.
  • Turnover alto: A instabilidade é alta, 37% mudaram de emprego nos últimos dois anos.
  • Satisfação geral: Apesar das dificuldades, 60% dos entrevistados relatam satisfação com o impacto que causam no setor.

4. Artist Studios

  • Assistentes subvalorizados: Muitos trabalham por menos de £25.000 anuais, mesmo com tarefas técnicas ou de gestão importantes.
  • Falta de contratos formais: Apenas 41% dos assistentes de estúdios afirmam ter contrato de trabalho assinado.
  • Demandas emocionais e físicas: O ambiente pode ser exaustivo e, às vezes, pouco estruturado em termos de RH.
  • Crescimento limitado: Poucas oportunidades de progressão na carreira dentro dos estúdios.

5. Auction Houses

  • Salários com grandes variações: De £30.000 (nível júnior) a mais de £100.000 (nível sênior), especialmente em casas de leilão de alcance internacional.
  • Bonificações são comuns: Alguns profissionais recebem bônus de até 20% do salário anual.
  • Pressão por resultados: As metas de venda são exigentes, e há relatos de cultura corporativa rígida e competitiva.
  • Mobilidade: Casas maiores oferecem mais possibilidade de crescimento interno ou realocação internacional.

6. Galleries

  • Disparidade salarial: Em galerias pequenas, salários iniciais estão próximos a £24.000, enquanto cargos de direção em galerias internacionais podem ultrapassar £90.000.
  • Carga de trabalho intensa: Jornadas superiores a 50 horas semanais são comuns em grandes feiras ou montagens.
  • Pouca diversidade racial: Apenas 15% dos respondentes em galerias se identificam como pessoas não brancas.
  • Benefícios escassos: Apenas 40% afirmam receber plano de saúde ou benefícios estruturados.

7. Communications Agencies

  • Salários médios: Entre £28.000 e £65.000, dependendo do porte da agência e do nível de senioridade.
  • Alta rotatividade: É comum que profissionais usem essas funções como trampolim para outras áreas do setor cultural.
  • Carga de trabalho elevada: Muitos atuam com múltiplos clientes e prazos apertados, o que afeta o equilíbrio pessoal.
  • Valorização da comunicação digital: Habilidades em redes sociais, dados e branding têm impulsionado novas contratações.

8. Private Wealth (Collections, Museums & Foundations)

  • Salários acima da média: Cargos em coleções privadas e fundações geralmente pagam melhor: de £45.000 a £120.000.
  • Perfil sênior e especializado: São requisitados profissionais com experiência em gestão de coleção, curadoria ou filantropia.
  • Ambientes mais estruturados: Essas instituições tendem a oferecer benefícios mais robustos e contratos formais.
  • Desafios éticos: A relação entre arte e grandes fortunas levanta questões sobre alinhamento de valores institucionais.

9. Shipping & Logistics

  • Essenciais, mas invisíveis: Muitos profissionais dessa área sentem-se subvalorizados, apesar do papel crucial que exercem.
  • Remuneração média: Entre £30.000 e £50.000, com variações conforme a senioridade e o país.
  • Alta demanda: Com o crescimento do mercado internacional, aumentou a demanda por especialistas em transporte, armazenamento e seguros.
  • Baixa diversidade de gênero: A área ainda é predominantemente masculina.

10. Start-Ups & Technology

  • Novas fronteiras do mercado: Atuam com NFTs, plataformas de dados, IA aplicada à arte e marketplaces digitais.
  • Salários competitivos: Variam entre £40.000 e £110.000, com bônus e equity comuns no pacote.
  • Ambiente flexível: Muitos relatam liberdade criativa e modelos híbridos ou remotos de trabalho.
  • Desafios: Adaptação do setor tradicional ao vocabulário tech e resistência de parte do mercado estabelecido.

11. Variable Pay & Benefits

  • Bonificações desiguais: Enquanto 45% dos profissionais em leilões recebem bônus anuais, apenas 12% nas galerias são contemplados.
  • Benefícios escassos: Apenas 39% dos entrevistados afirmam receber benefícios como plano de saúde, licença parental ou apoio psicológico.
  • Desigualdade estrutural: Mulheres e pessoas racializadas têm menos acesso a bônus e cargos mais bem remunerados.
  • Demanda por mudanças: 68% dos respondentes defendem maior transparência nos critérios de remuneração variável.

Looking Ahead

O relatório finaliza com projeções e tendências para o futuro do mercado de trabalho na arte:

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  • Profissões híbridas devem crescer: O cruzamento entre arte, tecnologia, design, comunicação e sustentabilidade está moldando novas funções, desde curadoria de experiências digitais até gestão de impacto social.
  • Autonomia com proteção: Muitos profissionais almejam mais autonomia (freelance, consultorias, projetos próprios), mas com uma rede mínima de proteção e garantias. Modelos cooperativos e plataformas coletivas podem ganhar força.
  • Valorização do cuidado: Questões como bem-estar, saúde mental, suporte à parentalidade e equilíbrio entre vida e trabalho deixarão de ser extras e se tornarão centrais nas decisões de emprego.
  • Reconfiguração do prestígio: O sucesso profissional tende a ser menos medido por títulos e mais por impacto, ética e coerência. Isso desafia padrões hierárquicos tradicionais do setor.
  • O tempo como recurso escasso: Profissionais relatam que o tempo é o maior luxo, seja para pensar, pesquisar ou descansar. Organizações que respeitam esse tempo e reduzem o ritmo ganham em inovação e lealdade.

Metodologia SML Art Market Talent Report

A pesquisa que fundamenta o relatório de 2025 foi realizada entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025. A equipe da SML reuniu dados de:

  • Mais de 1.300 profissionais do setor de arte globalmente, com uma concentração significativa na Europa, América do Norte e Ásia;
  • Profissionais de diversas áreas do setor, como galerias, leiloeiras, museus, fundações, agências de comunicação, estúdios de artistas, transportadoras de arte, advisories e empresas de tecnologia voltadas para o setor;
  • Uma combinação de questionários quantitativos e qualitativos, além de insights das consultoras da SML baseadas em Nova York, Londres, Los Angeles, Paris e Hong Kong.

Além da coleta de dados direta com profissionais, o relatório é enriquecido com as observações feitas pelas recrutadoras da SML ao longo de centenas de processos seletivos conduzidos em 2024, o que confere ao estudo uma leitura estratégica e aplicada do mercado.

Destaques e abrangência

  • O relatório é dividido em seções temáticas, incluindo tendências, análise setorial, remuneração variável, benefícios e projeções futuras.
  • Ele revela mudanças comportamentais, expectativas de salário e valores de cultura corporativa, especialmente em meio a transformações no modelo de trabalho (como o avanço do híbrido/remoto), discussões sobre bem-estar, representatividade e clima organizacional.
  • Uma das ênfases de 2025 é a valorização de soft skills como empatia e inteligência emocional, e uma crescente demanda por equilíbrio entre vida profissional e pessoal como critério de retenção de talentos.
  • Também é apontada uma atenção maior à diversidade nas contratações, especialmente na América do Norte, apesar de ainda haver desafios consideráveis em algumas regiões.

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