Publicado em 1991 na revista Porto Arte, o ensaio “Considerações sobre o sistema das Artes Plásticas”, de Maria Amélia Bulhões, propõe uma mudança importante na forma de compreender a arte. Em vez de tratar a produção artística como resultado exclusivo da genialidade individual, a autora desloca o foco para o conjunto de relações sociais, institucionais e econômicas que tornam possível o reconhecimento de algo como “arte”.
Doutora em História Social pela USP e professora do Instituto de Artes da UFRGS, Maria Amélia Bulhões desenvolve, neste texto, uma leitura alinhada às contribuições da sociologia da arte e da história social. Seu argumento central parte da ideia de que a arte não existe de forma isolada ou neutra: ela se constitui dentro de um sistema dinâmico, formado por artistas, críticos, instituições, mercado e público especializado.
Quem decide o que é arte?
A pergunta parece simples, mas carrega uma rede complexa de relações invisíveis. Estamos acostumados a pensar a arte como expressão individual, fruto da genialidade de um artista singular, quase isolado do mundo. Durante muito tempo, a própria história da arte foi construída assim: como uma sequência de grandes nomes, estilos e obras-primas. Mas essa narrativa deixa algo de fora.
No ensaio “Considerações sobre o sistema das Artes Plásticas”, Maria Amélia Bulhões propõe deslocar o olhar. Em vez de perguntar apenas quem criou, ela sugere perguntar como algo passa a ser reconhecido como arte. Esse deslocamento muda tudo. A arte deixa de ser entendida apenas como produção individual e passa a ser vista como resultado de um conjunto de relações sociais, econômicas e institucionais.
Museus, galerias, críticos, curadores, universidades, mercado, colecionadores, público especializado — todos participam desse processo. A obra não circula sozinha. Ela é legitimada, interpretada, valorizada e hierarquizada dentro de um sistema. Isso significa que a arte não nasce neutra. Ela nasce situada.
Ao longo deste texto, vamos entender:
- o que é o chamado “sistema das artes plásticas”;
- como ele se formou historicamente;
- como opera na legitimação das obras;
- e por que ele está diretamente ligado a poder, distinção social e mercado.
Mais do que discutir obras ou artistas específicos, trata-se de compreender as estruturas que tornam possível que algo seja reconhecido como arte. Porque, antes de existir como categoria estética, a arte existe como construção histórica.
Da genialidade individual ao sistema social
Durante séculos, a história da arte foi construída como uma galeria de grandes nomes. O artista aparecia como figura central: um sujeito dotado de talento excepcional, cuja obra expressava sua interioridade, sua visão de mundo, sua genialidade. As análises privilegiavam estilo, técnica, influência e originalidade. O foco estava na obra acabada e no indivíduo que a produziu. Essa narrativa não é neutra. Ela construiu um imaginário poderoso: o do artista como criador solitário, quase acima das determinações sociais.
Maria Amélia Bulhões chama atenção para o fato de que essa abordagem idealizada dominou tanto a historiografia da arte quanto parte da sociologia tradicional da arte. Mesmo quando se buscava inserir a produção artística no contexto social, muitas análises ainda tratavam as obras como resultados finais, deixando em segundo plano os processos de produção, circulação e reconhecimento.
A mudança começa quando os estudos históricos e sociológicos passam a considerar a arte de forma integrada ao meio social. Em vez de olhar apenas para o produto final, passa-se a investigar:
- Quem financia a produção?
- Onde a obra circula?
- Quem a legitima?
- Quem tem acesso a ela?
- Quais critérios definem seu valor?
O artista deixa de ser o único protagonista. Ele passa a ser um agente dentro de uma rede de relações. Esse deslocamento é fundamental porque revela algo decisivo: o valor artístico não é uma qualidade puramente interna à obra. Ele depende de um conjunto de reconhecimentos, mediações e instituições. O que conta como arte em determinado momento histórico não é fruto apenas da inspiração individual, mas de uma estrutura social que define critérios, limites e hierarquias.
Assim, a história da arte deixa de ser apenas a história de estilos e passa a ser também a história de um sistema. Um sistema que organiza a produção, a circulação e o consumo daquilo que chamamos de arte. Essa mudança de perspectiva não elimina a importância da criação individual. Mas impede que ela seja vista como isolada. A obra não é apenas expressão — é também inserção.
A mercantilização da arte
Se a arte não existe isolada, tampouco está fora das dinâmicas econômicas. Um dos pontos centrais discutidos por Maria Amélia Bulhões é a generalização do processo de mercantilização no campo das artes plásticas. Em outras palavras, a obra de arte passa a circular como mercadoria. Isso não significa que a arte tenha se tornado comercial apenas recentemente. O que se transforma, sobretudo ao longo do século XX, é a intensidade e a complexidade desse processo. A lógica de oferta e demanda, típica da sociedade capitalista, passa a organizar não apenas a circulação das obras, mas também sua produção e legitimação.
Galerias, marchands, feiras e casas de leilão tornam-se agentes fundamentais. O reconhecimento artístico passa a caminhar lado a lado com a cotação de mercado. O valor simbólico e o valor econômico tornam-se cada vez mais interdependentes. Nesse cenário, o artista também muda de posição. Se em outros períodos ele esteve ligado a sistemas de mecenato ou proteção institucional, agora se insere diretamente em uma engrenagem de mercado. O sucesso artístico começa a ser medido também pela visibilidade, pela circulação e pelo preço alcançado pelas obras.
A mercantilização atinge não apenas os objetos físicos, como pinturas e esculturas, mas também eventos, performances e registros. Mesmo práticas que se pretendem efêmeras ou críticas acabam sendo absorvidas pelo circuito comercial, seja por meio de documentação, seja pela institucionalização.
Há aqui um paradoxo: quanto mais a arte reivindica autonomia e liberdade expressiva, mais se encontra imersa nas dinâmicas do consumo. A promessa de independência convive com a dependência estrutural do mercado. Esse movimento não reduz a arte a simples mercadoria, mas revela que sua existência pública está atravessada por mecanismos econômicos. A obra não circula apenas porque é criada; ela circula porque há um sistema que a distribui, a promove, a valoriza e a comercializa.
Legitimação: quem decide o que é arte?
Se a arte circula como mercadoria, ela também circula como reconhecimento. E é aqui que a discussão se torna ainda mais delicada: o que faz com que algo seja considerado arte?
Não existe um valor universal, neutro ou natural que determine o estatuto artístico de um objeto. O reconhecimento não está apenas na matéria da obra, nem exclusivamente na intenção do artista. Ele depende de um conjunto de instâncias que validam, interpretam e consagram determinadas produções. Maria Amélia Bulhões mostra que a legitimação ocorre dentro de uma rede estruturada, formada por artistas, críticos, curadores, historiadores, instituições culturais, mercado e público especializado. São essas instâncias que produzem discursos, organizam exposições, escrevem textos, atribuem sentido e constroem hierarquias.
Um exemplo emblemático desse processo pode ser visto na obra de Marcel Duchamp. Quando apresentou seus ready-mades, como o famoso urinol intitulado Fountain, Duchamp não apenas questionou o objeto artístico, mas evidenciou que o reconhecimento institucional é parte constitutiva da obra. O objeto industrial só se torna arte quando inserido em um contexto que o legitima como tal.
Isso significa que o valor artístico não é intrínseco. Ele é relacional.
Museus, bienais, salões, galerias e universidades funcionam como espaços de consagração. A crítica e a historiografia consolidam narrativas. O mercado reforça visibilidades. O público especializado reproduz critérios. Cada agente participa da definição do que merece atenção, estudo e preservação. Essa engrenagem não é necessariamente consciente ou conspiratória. Ela é estrutural. E justamente por isso é tão eficaz.
A legitimação também opera por exclusão. Ao definir o que é arte, o sistema define simultaneamente o que não é. Determinadas produções ficam à margem, invisibilizadas ou classificadas como menores. Assim, o sistema das artes não apenas reconhece — ele seleciona.
A falsa despolitização da arte
Existe uma ideia recorrente na história da arte: a noção de que a arte deveria ser autônoma, livre de interesses externos, dedicada apenas à forma, à sensibilidade ou à experiência estética. A famosa defesa da “arte pela arte” ajudou a consolidar essa visão, reforçando a imagem de um campo separado da política, da economia e das disputas sociais. Mas essa neutralidade é, em si, uma construção histórica.
Ao analisar o sistema das artes plásticas, Maria Amélia Bulhões evidencia que a arte nunca esteve fora das estruturas sociais. Mesmo quando reivindica autonomia, ela opera dentro de instituições, mercados e discursos que são profundamente atravessados por relações de poder. A ideia de despolitização funciona, muitas vezes, como estratégia. Ao apresentar a arte como universal e neutra, o sistema oculta as condições históricas que sustentam seus critérios de valor. O que parece ser apenas julgamento estético pode carregar decisões sobre quais temas são legítimos, quais corpos são representáveis, quais narrativas merecem visibilidade.
Nas décadas de 1960 e 1970, essa suposta neutralidade foi amplamente questionada. Movimentos artísticos passaram a explicitar o caráter político da produção cultural, denunciando as estruturas institucionais e o papel do mercado. Performances, intervenções urbanas e práticas conceituais colocaram em evidência que o espaço artístico é também espaço de disputa. Contudo, mesmo essas práticas críticas acabam sendo absorvidas pelo sistema que pretendem tensionar. Ao serem institucionalizadas, catalogadas e expostas, tornam-se parte da engrenagem que inicialmente questionavam.
Isso não significa que a arte crítica perca sua potência, mas mostra como o sistema é capaz de incorporar e reconfigurar a contestação. A arte não é neutra porque não existe fora do mundo social. Ela participa das hierarquias, dos conflitos e das transformações de seu tempo. E reconhecer isso não diminui sua força estética — ao contrário, amplia sua complexidade.
O que é o Sistema das Artes Plásticas?
Depois de percorrer as questões da mercantilização, da legitimação e da falsa neutralidade, é possível formular de maneira mais direta a pergunta central: afinal, o que é o sistema das artes plásticas?
Para Maria Amélia Bulhões, trata-se do conjunto de indivíduos, instituições e mecanismos responsáveis pela produção, difusão, reconhecimento e consumo dos objetos considerados artísticos barachini. Não estamos falando apenas de artistas e obras, mas de uma rede articulada que estrutura o campo artístico como um todo.
Esse sistema não é estático nem homogêneo. Ele é histórico, dinâmico e atravessado por disputas. Ainda assim, mantém certa coesão porque opera segundo regras compartilhadas — ainda que nem sempre explícitas.
Podemos visualizar esse sistema a partir de seus principais agentes:
1. Produção
- Artistas
- Ateliês
- Escolas e universidades de arte
2. Mediação
- Críticos
- Curadores
- Historiadores da arte
- Jornalismo cultural
3. Institucionalização
- Museus
- Bienais
- Centros culturais
- Salões e premiações
4. Mercado
- Galerias
- Feiras de arte
- Marchands
- Casas de leilão
- Colecionadores
5. Consumo e recepção
- Público especializado
- Investidores
- Instituições públicas e privadas
Cada uma dessas instâncias participa da definição do que será visto, estudado, preservado e valorizado. O sistema organiza não apenas a circulação das obras, mas também seus significados e hierarquias.
Importante destacar: o sistema não determina mecanicamente o valor artístico, mas cria as condições para que esse valor seja reconhecido. Ele estabelece critérios, produz discursos e consolida narrativas que dão sustentação àquilo que chamamos de “arte”.
Como o sistema surgiu historicamente
O sistema das artes plásticas não existiu desde sempre. Ele é resultado de um processo histórico específico, ligado à consolidação da modernidade europeia. Na Idade Média, aquilo que hoje chamamos de “arte” não estava separado das demais atividades produtivas. Pintores, escultores e construtores eram organizados em corporações de ofício, lado a lado com artesãos. O valor do trabalho estava associado à habilidade técnica e à função prática ou religiosa da obra.
É a partir do Renascimento que ocorre uma transformação decisiva. A figura do artista começa a se diferenciar do artesão. A criação passa a ser associada à invenção intelectual, não apenas à execução manual. A valorização do desenho como princípio racional e a aproximação com saberes científicos ajudam a elevar o status social do artista. Esse movimento inaugura uma distinção fundamental: a separação entre belas-artes e artes mecânicas. A arte passa a ser compreendida como atividade superior, ligada ao espírito, à criatividade e à originalidade.
Nos séculos seguintes, essa distinção se consolida com a criação de academias, salões oficiais e instituições responsáveis por regular o ensino e a legitimação artística. O sistema começa a ganhar forma institucional. Ele estabelece critérios de qualidade, hierarquias de gêneros e mecanismos de consagração.
No século XIX, com a expansão do mercado burguês e o enfraquecimento do sistema acadêmico rígido, novas instâncias passam a desempenhar papel central: galerias privadas, crítica especializada e imprensa cultural. A arte passa a circular em um ambiente cada vez mais mediado por relações de mercado. O que antes era sustentado principalmente por encomendas religiosas ou aristocráticas torna-se parte de uma economia cultural em expansão.
Ao longo do século XX, o sistema se complexifica ainda mais. Museus de arte moderna, bienais internacionais, universidades e centros culturais ampliam a rede institucional. A arte se internacionaliza, os circuitos se diversificam, mas a estrutura relacional permanece: produção, mediação, legitimação e consumo continuam interligados.
Arte como distinção social
Se o sistema das artes organiza produção e legitimação, ele também organiza distinções. O acesso à arte — seja como produtor, mediador ou público — nunca foi distribuído de maneira igualitária. Frequentar museus, colecionar obras, compreender códigos estéticos e acompanhar debates críticos são práticas historicamente associadas a determinados grupos sociais. A participação no sistema artístico funciona, muitas vezes, como marcador de posição social.
O sociólogo Pierre Bourdieu demonstrou como o consumo cultural opera como forma de distinção. O gosto não é apenas uma escolha individual; ele é socialmente estruturado. Preferências estéticas refletem trajetórias, acesso à educação e capital cultural acumulado. Nesse sentido, a arte cumpre uma dupla função: ao mesmo tempo em que produz sentido simbólico, também produz diferenciação social.
O sistema das artes reforça essa dinâmica ao estabelecer hierarquias internas:
- artistas consagrados e emergentes;
- instituições centrais e periféricas;
- públicos especializados e públicos leigos;
- obras consideradas “maiores” e produções vistas como marginais.
Participar de vernissages, bienais ou circuitos institucionais não é apenas vivenciar experiências estéticas — é também ocupar um espaço social específico. O reconhecimento artístico frequentemente se converte em capital simbólico, que pode se transformar em prestígio, influência e até poder econômico. Além disso, o sistema tende a reproduzir desigualdades históricas. Determinados corpos, narrativas e territórios foram, por muito tempo, excluídos dos espaços de consagração. A ampliação de debates sobre gênero, raça e colonialidade no campo artístico revela justamente essa dimensão estrutural da exclusão.
A arte, portanto, não é apenas reflexo da sociedade — ela também participa da organização de suas hierarquias.
O sistema muda, mas não desaparece
Ao longo do século XX, o sistema das artes foi amplamente questionado. As vanguardas históricas desafiaram academias e instituições. Movimentos experimentais romperam com critérios tradicionais de técnica e beleza. Artistas passaram a tensionar o próprio conceito de obra. O gesto de ruptura tornou-se parte da linguagem artística. No entanto, algo curioso acontece: mesmo quando a arte questiona o sistema, ela continua operando dentro dele. As vanguardas que inicialmente escandalizaram salões e instituições foram, mais tarde, incorporadas aos museus. O que era ruptura transforma-se em capítulo da história oficial.
Tomemos novamente o exemplo de Marcel Duchamp. Seus ready-mades desestabilizaram o entendimento tradicional de arte no início do século XX. Hoje, porém, são peças centrais em acervos museológicos e referências incontornáveis nos cursos de história da arte. O gesto crítico foi absorvido pelo próprio sistema que ele tensionava. Esse movimento revela uma característica fundamental: o sistema das artes é capaz de se reconfigurar. Ele não é rígido, mas adaptável. Incorpora novas linguagens, amplia seus critérios, reconhece produções antes marginalizadas — mas mantém sua estrutura relacional.
No final do século XX e início do XXI, novas transformações intensificam essa dinâmica:
- internacionalização do mercado;
- crescimento das bienais e feiras globais;
- expansão de museus e centros culturais;
- fortalecimento da curadoria como instância de mediação;
- circulação digital de imagens e discursos.
A arte contemporânea amplia formatos e territórios, mas continua dependendo de mecanismos de legitimação. Mesmo produções realizadas fora dos grandes centros acabam dialogando com instâncias institucionais para alcançar reconhecimento mais amplo.
Isso não significa que o sistema seja imutável ou incontestável. Ele é constantemente tensionado por práticas críticas, coletivos independentes e movimentos de descentralização. Contudo, a lógica de produção, mediação, legitimação e consumo permanece operando.
O sistema muda de forma, mas não desaparece.
Entender essa permanência é essencial para compreender que a arte contemporânea não está fora das estruturas históricas — ela está inserida em uma versão atualizada delas. E, justamente por isso, continua sendo um campo de disputa.
Como o sistema das artes opera no século XXI
Se o sistema das artes plásticas nasceu na modernidade europeia e se consolidou ao longo dos séculos XIX e XX, no século XXI ele assume novas formas — mas não perde sua lógica estrutural. A globalização ampliou os circuitos. Bienais se multiplicaram fora do eixo Europa–Estados Unidos. Feiras internacionais conectam artistas, galerias e colecionadores em escala transnacional. A circulação de obras e discursos tornou-se mais rápida e mais ampla.
Ao mesmo tempo, a digitalização alterou profundamente os modos de visibilidade. Redes sociais, plataformas online e arquivos digitais transformaram a maneira como a arte é divulgada, consumida e discutida. Hoje, uma obra pode ganhar reconhecimento por meio de compartilhamentos e algoritmos antes mesmo de ser exibida em uma instituição tradicional. Mas essa ampliação não elimina o sistema — ela o reconfigura.
Curadores continuam desempenhando papel central na mediação. Museus e centros culturais ainda operam como instâncias de consagração. O mercado se sofisticou, incorporando novas modalidades de investimento e circulação. Mesmo práticas digitais ou descentralizadas acabam buscando validação institucional para consolidar seu reconhecimento. Além disso, debates contemporâneos sobre gênero, raça, colonialidade e território têm tensionado o sistema, questionando suas bases históricas de exclusão. A ampliação de vozes e narrativas não acontece de forma espontânea: ela resulta de disputas internas, pressões políticas e transformações sociais.
O sistema, portanto, não é uma estrutura fechada, mas um campo em constante negociação.
No século XXI, entender como a arte se legitima exige observar:
- quem tem visibilidade;
- quem controla os espaços de mediação;
- quais narrativas são priorizadas;
- quais produções permanecem à margem.
A pergunta que atravessava o texto de Maria Amélia Bulhões continua atual: a arte não é apenas criação individual, mas construção social. E compreender o sistema que a sustenta é fundamental para pensar seus limites, suas potências e suas possibilidades de transformação.
Se a arte é atravessada por relações de poder, ela também pode ser espaço de reconfiguração dessas relações. O sistema organiza — mas também pode ser tensionado.

