Inserir-se no sistema da arte exige mais do que talento. É preciso estar atento ao contexto, criar conexões significativas e desenvolver uma prática crítica e consistente. Abaixo, reunimos estratégias práticas e reflexões em formato de tópicos para ajudar artistas contemporâneos a navegar por esse campo complexo com mais autonomia.
1. Saiba o que você está fazendo e por quê
“Seja seu maior crítico e seu maior apoiador ao mesmo tempo.” – Jerry Saltz
- Mais do que produzir imagens, artistas produzem pensamento.
- Antes de mostrar, entenda o que sua obra quer dizer e por que ela precisa existir.
2. Acompanhe e entenda o sistema de arte
- Estude os atores do sistema: curadores, críticos, galeristas, instituições.
- Entenda as dinâmicas que moldam o reconhecimento e a circulação artística.
3. Construa um portfólio coerente
- Vá além do portfólio genérico: pense nele como parte da sua poética.
- O portfólio também comunica intenção, processo e visão.
4. Relacione-se com o meio – com cuidado e estratégia
- Participar do circuito não é “fazer networking”, é construir diálogo.
- Apresente-se, escute, acompanhe colegas, sem forçar inserções.
5. Use os editais como alavanca
- Editais e prêmios são portas de entrada legítimas. Prepare dossiês claros e objetivos.
6. Crie sua própria rede e não apenas no Instagram
- Plataformas digitais importam, mas vínculos reais sustentam carreiras.
- Artistas crescem com coletivos, conversas, trocas horizontais.
- Essa é uma carreira de estudo, seja no campo da vivência prática como no da pesquisa teórica.
7. Questione o próprio sistema
“A interseccionalidade convida à complexidade, e não ao conforto.” – Patricia Hill Collins
- É histórico e estrutural como estruturas de raça, classe, gênero e território moldam o sistema de arte. Revisitá-lo é também recriá-lo.
- A arte é um espaço de abertura, questionamento e enfrentamento e colocar obras de arte no mundo é político.
8. Aprenda a falar (e escrever) sobre seu trabalho
- Há diversos grupos de acompanhamento para artistas em vários momentos de carreira.
- Residências artísticas ajudam a compreender a obra em conjunto e na partilha.
- Treine pequenas apresentações, elabore textos objetivos e autorais.
9. Aceite o tempo da maturação
- O sistema é instável e o reconhecimento é parcial.
- Construa continuidade e abrace a incerteza como parte do processo.
10. Faça cursos teóricos e práticos
- Formação continuada é indispensável. Teoria e técnica caminham juntas.
- Aprender com outros artistas, críticos e professores amplia vocabulário e perspectiva.
11. Busque residências artísticas
- Residências não são só sobre produção: são espaços de troca, pesquisa e convivência.
- Estar em um ambiente coletivo ativa projetos que não surgiriam em isolamento.
12. Veja se é possível ter um ateliê compartilhado
- Ter um espaço dividido ajuda na prática, no diálogo e no cotidiano.
- São espaços de fricção produtiva.
13. Foque no seu desenvolvimento
- Não acelere sua trajetória para parecer pronto. Esteja em processo.
- Reflita sobre como sua prática evolui e onde ela ainda pode ir.
14. Elabore o seu discurso para cada público
- Mapeie com quem você quer dialogar e reflita sobre seu trabalho. Pense antes em caminhos de conversa a partir de sua obra.
15. Aprofunde-se nos temas de pesquisa
- O sistema valoriza consistência, pense também no contexto do trabalho que pode tanto vir de suas próprias experiências como de referências e apropriações.
- Leitura, escuta e interdisciplinaridade são aliadas.
16. Tenha referências e estude seus caminhos
- Estude como foi o processo e a carreira de artistas que admira. Como eles se inseriram? Que estratégias usaram? Quais editais entraram no começo de suas carreiras?
- Mas lembre: inspiração é base, não modelo.