Em tópicos: Neoconcretismo

O Neoconcretismo foi um dos movimentos mais inovadores e transformadores da arte brasileira no século XX. Surgido no fim dos anos 1950, como uma reação à rigidez racional do Concretismo, o grupo de artistas neoconcretos propôs uma arte viva, sensível, relacional — que envolvesse o corpo, o tempo e a experiência do público.

Com nomes como Lygia Clark, Lygia Pape, Hélio Oiticica e Franz Weissmann, o movimento nasceu no Rio de Janeiro e rapidamente colocou em xeque os limites entre arte e vida. Neste texto, você vai entender o que foi o Neoconcretismo, o que os artistas queriam com esse rompimento, quais obras marcaram o período e como seu legado ainda pulsa na arte contemporânea.

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  1. O que foi o Neoconcretismo?
    Movimento artístico brasileiro surgido no final dos anos 1950 como uma resposta crítica ao racionalismo rígido do Concretismo. Defendia uma arte mais sensível, subjetiva e ligada à experiência do corpo.
  2. Manifesto Neoconcreto (1959)
    Escrito por Ferreira Gullar e assinado por Lygia Clark, Lygia Pape, Hélio Oiticica, Franz Weissmann, entre outros, o manifesto afirmava que a arte não poderia ser reduzida à lógica científica e que a obra deveria ser vivida, não apenas observada.
  3. O Rio como centro do Neoconcretismo
    O movimento nasceu e se desenvolveu no Rio de Janeiro, a partir do grupo dissidente do Grupo Frente. O contexto cultural carioca, mais aberto à subjetividade e à expressão sensorial, favoreceu essa virada poética da arte geométrica.
  4. São Paulo: pouca adesão, muitas tensões
    Em São Paulo, o Neoconcretismo encontrou resistência. Os artistas ligados ao Grupo Ruptura mantinham uma postura mais racionalista e ortodoxa. A cisão entre Rio e SP marcou profundamente a trajetória da arte construtiva brasileira.
  5. O que os neoconcretos queriam?
    Queriam romper com a ideia da obra como objeto fixo e autônomo. Para eles, a arte precisava envolver o espectador, ativar o corpo, a percepção e o tempo. A obra se tornava uma vivência, não um produto acabado.
  6. Hélio Oiticica e o corpo em movimento
    Com os Parangolés — capas coloridas feitas para serem usadas e dançadas —, Oiticica propôs uma arte que se realizava na ação do corpo. Suas Bólides também convidavam à interação e à quebra da contemplação passiva.
  7. Lygia Clark e a arte como experiência sensorial
    Clark passou das obras geométricas às proposições sensoriais e terapêuticas. Suas Obras Mole, Bichos e depois os Objetos Relacionais foram marcos na expansão da arte para além do visual.
  8. Lygia Pape e a participação do público
    Pape criou obras como o Livro da Criação e a Ttéia, em que o público é convidado a interagir, tocar, circular e experimentar os sentidos da obra, dissolvendo os limites entre arte e vida.
  9. Franz Weissmann e a forma aberta
    O escultor Franz Weissmann também participou do Neoconcretismo com obras geométricas leves, que buscavam o equilíbrio entre rigor construtivo e liberdade poética — a forma como algo em transformação.
  10. A arte neoconcreta como poética do tempo e do corpo
    Mais do que objetos, os neoconcretos criaram situações. A experiência era temporal, corporal, subjetiva. A obra só se completava na presença do outro.
  11. Obras neoconcretas no Inhotim
    O Instituto Inhotim (MG) abriga importantes obras neoconcretas e pós-neoconcretas, como as Tetéias de Lygia Clark, os ambientes de Hélio Oiticica (como Tropicália) e instalações imersivas que dialogam com a tradição sensorial do movimento, como Cosmococa.
  12. A dissolução da obra como objeto de arte
    O Neoconcretismo questionou o que era uma obra de arte. Mais do que forma, passou a ser processo, relação, gesto e presença. Essa mudança foi revolucionária para a arte brasileira.
  13. O fim do movimento, o início de um novo campo
    O Neoconcretismo como grupo durou pouco — cerca de 3 anos — mas suas ideias geraram novos caminhos para a arte contemporânea brasileira, especialmente no campo da arte participativa e da instalação.
  14. Antecedente da arte relacional
    A prática dos neoconcretos, especialmente de Lygia Clark e Hélio Oiticica, antecipa o que nos anos 1990 seria chamado de “arte relacional”: práticas artísticas que se estruturam a partir da interação entre pessoas.
  15. Legado neoconcreto: arte como encontro
    O Neoconcretismo transformou profundamente a arte brasileira ao abrir espaço para o corpo, a sensorialidade, a experiência e o outro. Um legado que segue vivo nas práticas artísticas contemporâneas.

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