Maria Bonomi (Meina, Itália, 1935) é gravadora, escultora e muralista ítalo-brasileira, radicada em São Paulo desde 1946 e pioneira da xilogravura de grande formato no Brasil. Levou a matriz gravada à escala da arte pública. Na Bienal de Veneza 2024, apresentou Pedra Robat (1974) na seção Italiani Ovunque, do Núcleo Histórico.
Maria Anna Olga Luiza Bonomi nasceu em julho de 1935 em Meina, vilarejo às margens do Lago Maggiore, perto de Milão, filha da brasileira Georgina Martinelli Bonomi e do italiano Ambrogio Bonomi. Pelo lado materno, é neta de Giuseppe Martinelli, o construtor do Edifício Martinelli, primeiro arranha-céu de São Paulo, erguido nos anos 1920. A família deixou a Itália depois da Segunda Guerra Mundial e chegou ao Brasil em 1946; Maria desembarcou em São Paulo pela Estação da Luz, ao lado do avô, o mesmo lugar que receberia, quase sessenta anos depois, uma de suas obras públicas mais conhecidas. A artista construiu em São Paulo quase oito décadas de produção, que reúnem xilogravura, gravura em metal, litografia, escultura, pintura, muralismo, cenografia, figurino, curadoria e ensino. A matriz de madeira gravada é o centro de gravidade de toda essa obra: Bonomi é reconhecida como pioneira da xilogravura abstrata e de grande formato no país, e foi a partir da matriz que chegou à escultura, à instalação e aos murais em concreto, bronze e alumínio. O crítico Jacob Klintowitz a definiu como “xilógrafa”, palavra que resume a centralidade da madeira em sua trajetória. Em 2014, recebeu o título de Cidadã Paulistana; em 2025, ano de seus 90 anos, ganhou a maior retrospectiva da carreira, com mais de 250 obras, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro. Sua trajetória liga a geração que fundou a gravura moderna brasileira à arte pública contemporânea, e faz dela uma das figuras centrais da história da gravura no Brasil.
Formação: de Lívio Abramo a Nova York, Roma e Veneza
A formação de Maria Bonomi combina o ateliê paulistano, a vanguarda italiana e a cena gráfica de Nova York. Em São Paulo, estudou pintura e desenho com Yolanda Mohalyi, em 1951, e com Karl Plattner, em 1953. Em 1952, voltou à Itália, estudou com Enrico Prampolini em Roma e trabalhou com ele num projeto de cenografia; no mesmo período, conheceu de perto as obras de Marino Marini, Alberto Magnelli e Mario Sironi. Em 1954, começou a gravar com Lívio Abramo, um dos fundadores da gravura moderna brasileira, que lhe apresentou a goiva, a prensa, a matriz, as tintas e a impressão manual com a colher de bambu. No mesmo ano, conheceu em São Paulo o pintor italiano Emilio Vedova, que recebera um prêmio da Bienal; anos depois, estudou e trabalhou com ele em Veneza. Bonomi conta que com Prampolini se interessou pelo trabalho com diferentes materiais, e que com Vedova descobriu “o traço livre, a explosão do gesto e a explosão da tinta”. Em 1956, fez a primeira individual, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, e recebeu uma bolsa da Ingram-Merrill Foundation para estudar em Nova York: no Pratt Institute Graphics Center, trabalhou com o gravador Seong Moy, e na Columbia University estudou gravura com Hans Müller e teoria da arte com Meyer Schapiro. De volta ao Brasil, frequentou em 1959 a oficina de gravura em metal de Johnny Friedlaender no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, um dos ateliês decisivos para a renovação da gravura brasileira. Pesquisadoras brasileiras têm estudado esse trânsito entre Roma, Milão, Veneza e São Paulo nos anos 1950 à luz da crítica feminista, situando Bonomi como uma presença sem precedentes na abstração brasileira daquela década.
Estúdio Gravura e a época de ouro da gravura brasileira
Em março de 1960, Lívio Abramo abriu em São Paulo o Estúdio Gravura, com Maria Bonomi como assistente, função que ela exerceu até 1964. O ateliê oferecia cursos de xilogravura, ministrados pelo próprio Abramo, e de gravura em metal, intercalados com aulas de história da arte, num modelo que unia ofício e reflexão crítica. Pesquisas acadêmicas situam o Estúdio Gravura como herdeiro da Escola de Artesanato do MAM São Paulo e como parte de uma linhagem que remonta a Oswaldo Goeldi, Lasar Segall e ao próprio Abramo, artistas que fizeram da gravura uma linguagem moderna e ligada às questões sociais do país. O ateliê funcionou no auge da gravura brasileira, quando gravadores do país conquistavam prêmios nas Bienais de São Paulo e em mostras internacionais. Nesse ambiente, Bonomi desenvolveu uma xilogravura abstrata de grande formato, com camadas de cor sobrepostas e uma energia gestual herdada do informalismo europeu, distante da tradição narrativa da gravura social e do cordel. Em 1964, ela era a artista mais jovem da exposição que inaugurou o Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza. Em 1965, recebeu o prêmio de gravura da 8ª Bienal de São Paulo, e em 1967 conquistou o Grande Prêmio de Gravura da Bienal de Paris. Ao longo da carreira, participou de nove edições da Bienal de São Paulo, de sete edições da Bienal de Gravura de Ljubljana e de duas edições das Bienais de Praga e de Veneza.
A matriz como obra: o que é a gravura expandida?
A gravura expandida é a operação central da poética de Maria Bonomi: tratar a matriz gravada como obra autônoma, escultórica e monumental. Na gravura tradicional, a matriz é um instrumento para chegar à estampa; Bonomi passou a valorizar a madeira entalhada em si, com seus sulcos e relevos, e a expô-la ao lado da estampa ou no lugar dela. A artista atribui parte dessa virada à escritora Clarice Lispector, sua amiga, comadre e madrinha de batismo de seu filho Cássio. Ao visitar uma exposição, Clarice escolheu como presente a matriz de uma gravura, A Águia, e chamou a atenção de Bonomi para as possibilidades tridimensionais do bloco gravado. As duas mantiveram uma amizade intensa até a morte da escritora; em junho de 1977, poucos meses antes de morrer, Clarice entrevistou Bonomi para uma revista, num dos últimos encontros públicos das duas. Pesquisas acadêmicas aproximam a escrita de Clarice e a gravura de Bonomi como linguagens que se contaminam, uma que grava ao escrever e outra que escreve ao gravar. Para a artista, a gravura é uma linguagem capaz de se transformar sem deixar de ser ela mesma, e o gesto que constrói a matriz se desdobra em arte pública, em instalações e num pensamento gráfico anterior à própria imagem impressa. Bonomi também insiste na precedência do fazer: “A prática em arte precede a teoria.” A partir dos anos 1970, a gravura expandida a levou à escultura, ao relevo e aos grandes murais, sempre com o entalhe como origem.
Gravura e resistência durante a ditadura militar
A obra de Maria Bonomi tem uma dimensão política explícita, que se tornou visível sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985). Durante a Bienal de São Paulo de 1965, a artista entregou em mãos ao general Humberto de Alencar Castelo Branco uma carta coletiva que pedia a libertação de intelectuais presos arbitrariamente pela polícia política. Em 1971, numa individual que ocupou o grande salão do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, atualizou o lema inconfidente Libertas quae sera tamen e exibiu Balada do terror (1970), xilogravura de 250 por 100 centímetros criada como resposta ao AI-5. A obra homenageia a militante Dulce Maia e todas as pessoas torturadas pelo regime, e funciona como um réquiem para os mortos e para os vivos que sofriam tortura. Sua verticalidade remete à forca de Tiradentes e a um altar de sacrifício, numa associação entre o martírio da Inconfidência Mineira e a violência de Estado daquele presente. O engajamento atravessa toda a produção da artista e chega a obras recentes, como Tetraz: dança de facas (2003), instalação dedicada ao tema da liberdade, e Réquiem para os tombados da Covid-19 (2021). Nessa sequência, a xilogravura aparece como linguagem de denúncia e de luto coletivo, coerente com a tradição social da gravura brasileira e renovada pela escala monumental e pela abstração gestual de Bonomi.
Pedra Robat (1974) na Bienal de Veneza 2024
Pedra Robat (1974) é a obra de Maria Bonomi apresentada na 60ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, Stranieri Ovunque – Foreigners Everywhere, aberta de 20 de abril a 24 de novembro de 2024, com curadoria de Adriano Pedrosa. A gravura pertence a uma série realizada depois de viagens que transformaram a prática da artista nos anos 1960 e 1970: para aprofundar o conhecimento da xilogravura, Bonomi viajou ao Japão e à China maoísta e estudou técnicas praticadas na Amazônia. Para Pedra Robat, ela abandonou os métodos convencionais e usou duas matrizes de madeira de dimensões e peso incomuns, entalhadas com procedimentos inspirados nas esculturas em jade que observou em Pequim, fruto de saberes transmitidos por gerações de lapidários. A impressão nasce da sobreposição das duas matrizes, e o resultado foge dos contornos duros típicos da xilogravura: a superfície parece vibrar com uma energia cinética, marca reconhecível do estilo da artista. Antes da abertura, Bonomi resumiu o que levaria a Veneza: “A gravura impressa e duas matrizes gigantes.” As matrizes foram expostas na base da estampa, como parte essencial da obra, em sintonia com a ideia de gravura expandida. O texto curatorial, assinado por Sofia Gotti, destaca que a pesquisa contínua sobre a superfície gravada levou Bonomi a transformar matrizes em instalações escultóricas monumentais para encomendas públicas. A presença em 2024 fechou um ciclo de sessenta anos: Bonomi, que aos 28 anos tinha sido a artista mais jovem na inauguração do Pavilhão do Brasil em Veneza, voltou à Bienal aos 88, na exposição central.
Italiani Ovunque: a seção sobre a diáspora italiana
Italiani Ovunque – Italians Everywhere é a seção do Núcleo Histórico da Bienal de Veneza 2024 dedicada a artistas italianos que viajaram e viveram fora da Itália, desenvolvendo suas carreiras na África, na Ásia, na América Latina, nos Estados Unidos e em outros países da Europa. O texto de parede, assinado por Sofia Gotti e Adriano Pedrosa, propõe ler a diáspora e a migração como formações culturais inseparáveis da modernidade, e a emigração italiana como reveladora de texturas transnacionais inesperadas. Os artistas deixaram a Itália por motivos diversos: houve orientalistas que produziram visões exotizadas da Ásia e da África, artistas ligados às breves e brutais empreitadas coloniais italianas, pessoas que fugiram do terror fascista e das leis antissemitas e outras que emigraram pelas condições econômicas difíceis em torno da Segunda Guerra Mundial. A América do Sul foi um dos principais destinos dos italianos no século XX, e Brasil e Argentina abrigam as maiores comunidades da diáspora italiana no mundo; por isso, metade dos artistas da seção vinha desses dois países. Entre os nomes ligados ao Brasil estavam Anita Malfatti, Fulvio Pennacchi, Amadeo Luciano Lorenzato e a própria Bonomi. As obras foram expostas nos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi, arquiteta, designer e expógrafa italiana que se mudou para o Brasil em 1946, criadora de um dos dispositivos expositivos mais icônicos da história dos museus.
Arte pública: a gravura na escala da cidade
A partir de 1974, Maria Bonomi passou a realizar obras de arte pública em São Paulo, em Manaus e no Chile, e transformou o tema em pesquisa: em 1999, defendeu na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo a tese de doutorado Arte pública: sistema expressivo/anterioridade. Para a artista, a arte pública se incorpora ao cotidiano e altera a percepção e a memória das pessoas, como uma tatuagem permanente da cidade, e seus projetos envolvem autoria coletiva, com arquitetos, engenheiros, pedreiros, pesquisadores e moradores. Na inauguração de Epopeia paulista, ela afirmou criar “com a intenção de democratizar a arte”.
| Obra | Ano | Local | Características |
|---|---|---|---|
| Ascensão (tríptico) | 1976 | Igreja Mãe do Salvador, São Paulo | Primeira experiência da artista com o mural em grande escala |
| Futura memória | 1989 | Memorial da América Latina, São Paulo | Painel em solo-cimento inspirado nas linhas e geoglifos de Nasca, evocando uma América ancestral |
| Imigração e Substituição | 1998 | Palácio dos Bandeirantes, São Paulo | Painéis sobre a história da imigração, ligados à memória familiar da artista |
| Construção de São Paulo | 1998 | Estação Jardim São Paulo do metrô | Mural que evoca o Pico do Jaraguá, em homenagem ao gravador Evandro Carlos Jardim |
| Epopeia paulista | 2004 | Estação da Luz, São Paulo | Painel de concreto de 3 por 73 metros no corredor entre o metrô e a CPTM |
| Etnias: do primeiro e sempre Brasil | 2006–2008 | Memorial da América Latina, São Paulo | Instalação de 51 metros em cerâmica, bronze e alumínio, a convite de Oscar Niemeyer |
Epopeia paulista foi construída em ateliê-residência no Museu de Arte Contemporânea da USP, em abril de 2004, e homenageia os imigrantes, os migrantes nordestinos que chegavam em paus de arara e os trabalhadores anônimos que construíram São Paulo. O painel usa a linguagem da literatura de cordel, lembra cordelistas como Patativa do Assaré e incorpora objetos esquecidos pelos passageiros nos trens, como um acordeom, um vestido de noiva, óculos e ferramentas de trabalho. Etnias: do primeiro e sempre Brasil ocupa a passagem subterrânea entre a estação Barra Funda do metrô e o portão principal do Memorial e narra a história do Brasil em três tempos e três materiais: 15 toneladas de cerâmica para o período anterior à colonização, 6 toneladas de bronze para o encontro com os europeus e 1 tonelada de alumínio para o presente, com painéis como Nau, Monte Pascoal, Índios acorrentados, Índia primeira e Brasília. A obra partiu do conceito de transfiguração étnica do antropólogo Darcy Ribeiro, idealizador cultural do Memorial, contou com a consultoria da fotógrafa Claudia Andujar e teve painéis gravados por vinte indígenas guaranis de aldeias da Área de Proteção Ambiental Capivari-Monos, em São Paulo, que dividiram com Bonomi a autoria do trabalho.
Cor, teatro e outras travessias
A produção de Maria Bonomi inclui séries em que a cor e o número de matrizes atingem escalas excepcionais. Apoteose (1993) parte dos desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, e Tropicália (1995), obra fractal e manifesto ecológico, reúne 319 matrizes de formatos e dimensões variados. As séries Favela, Babel, Quadrantes e Amor inscrito mostram a amplitude temática da artista, que vai das desigualdades urbanas ao erotismo e às relações afetivas, incluindo o amor entre mulheres, presente em obras como Love Layers e Lena. Bonomi também construiu uma carreira paralela como cenógrafa e figurinista de teatro, com trabalhos como a cenografia de A última viagem de Borges, apresentada no Festival de Teatro de Curitiba em 2005, e como curadora de exposições nacionais e internacionais. Em 2008, a Pinacoteca do Estado de São Paulo apresentou uma individual da artista, e no mesmo período foi publicada a monografia Maria Bonomi: da gravura à arte pública, de Mayra Laudanna, pela Edusp e pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Para a Associação Brasileira de Críticos de Arte, criou os troféus entregues em diversas edições do Prêmio ABCA. Perguntada sobre a maior virtude da boa arte, respondeu: “A síntese da pulsação.”
Por que Maria Bonomi é importante para a gravura e para o Brasil?
A importância de Maria Bonomi para a gravura está na ampliação do que a própria técnica pode ser: ela levou a xilogravura do álbum e da parede do museu para o metrô, a igreja, o palácio de governo e o memorial, sem perder o gesto do entalhe como origem. Para a história da arte brasileira, sua trajetória conecta a geração de Goeldi, Segall e Lívio Abramo à arte pública contemporânea e mostra como a gravura pode carregar memória coletiva, denúncia política e experimentação formal ao mesmo tempo. Seus murais também revisam a história oficial de São Paulo, cidade que celebra os bandeirantes e reserva pouco espaço público à memória indígena, ao dar lugar aos migrantes, aos imigrantes e aos povos originários, estes últimos como coautores. Como leitura editorial do Arte como Assunto, vale observar três coincidências que a montagem veneziana tornou visíveis. A primeira é de datas: Bonomi chegou ao Brasil em 1946, o mesmo ano de Lina Bo Bardi, e em Veneza a matriz de uma artista da diáspora italiana repousava sobre o cavalete de vidro criado pela outra, um dispositivo que expõe frente e verso das obras e combina com uma poética que mostra o avesso da estampa. A segunda é de geração e de gênero: na mesma Bienal, Anna Maria Maiolino, também nascida na Itália e formada na xilogravura no Brasil, recebeu o Leão de Ouro pela carreira, e as duas trajetórias reforçam o lugar decisivo das mulheres imigrantes na gravura brasileira do século XX, um capítulo que a historiografia ainda tem muito a revisar. A terceira é a do retorno: sessenta anos separam a jovem gravadora que inaugurou o Pavilhão do Brasil em 1964 da artista de 88 anos que voltou a Veneza com duas matrizes gigantes.
Reconhecimento e a retrospectiva dos 90 anos
A carreira de Maria Bonomi acumula prêmios, condecorações e presença em grandes mostras internacionais. Além dos prêmios de gravura da Bienal de São Paulo (1965) e da Bienal de Paris (1967), recebeu a Ordem do Rio Branco em 2001 e a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura, em 2008. Suas obras estão em coleções como as do Banco Mundial, em Washington, e de instituições brasileiras e europeias. Em 2025, a exposição Maria Bonomi, a arte de amar, a arte de resistir, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, aberta de 6 de setembro a 16 de novembro, reuniu mais de 250 trabalhos em onze salas, sem ordem estritamente cronológica. A curadoria foi de Paulo Herkenhoff e Maria Helena Peres, companheira de vida da artista, e o percurso incluiu desenhos, xilogravuras, esculturas, cenários, figurinos, registros das obras públicas e um filme dirigido por Denise Saraceni. Entre os temas estavam o amor, a homoafetividade, os povos originários, as injustiças sociais, a brasilidade e a pandemia de Covid-19, e entre os conjuntos expostos estava a própria Pedra Robat, recém-chegada de Veneza. Várias obras convidavam o público a tocar, experimentar texturas e agir sobre elas, numa continuidade da sua ideia de arte como experiência compartilhada.
Cronologia de Maria Bonomi
- 1935: nasce em Meina, Itália, em julho.
- 1946: chega ao Brasil e se fixa em São Paulo.
- 1951–1953: estuda com Yolanda Mohalyi e Karl Plattner.
- 1952: em Roma, estuda e trabalha com Enrico Prampolini.
- 1954: começa a gravar com Lívio Abramo; conhece Emilio Vedova em São Paulo.
- 1956: primeira individual, no MAM São Paulo; bolsa para estudar em Nova York, no Pratt Institute e na Columbia University.
- 1959: oficina de gravura em metal com Johnny Friedlaender, no MAM Rio.
- 1960: assistente de Lívio Abramo na abertura do Estúdio Gravura, em São Paulo, função que exerce até 1964.
- 1964: artista mais jovem da exposição de inauguração do Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza.
- 1965: prêmio de gravura na 8ª Bienal de São Paulo; entrega carta a Castelo Branco pela libertação de presos políticos.
- 1967: Grande Prêmio de Gravura na Bienal de Paris.
- 1970–1971: Balada do terror e individual no MAM Rio.
- 1974: Pedra Robat; início das obras de arte pública.
- 1976: tríptico Ascensão, na Igreja Mãe do Salvador.
- 1989: Futura memória, no Memorial da América Latina.
- 1993–1995: Apoteose e Tropicália.
- 1998: painéis no Palácio dos Bandeirantes e Construção de São Paulo, na estação Jardim São Paulo.
- 1999: doutorado na ECA-USP sobre arte pública.
- 2004: Epopeia paulista, na Estação da Luz.
- 2006–2008: Etnias: do primeiro e sempre Brasil, no Memorial da América Latina.
- 2008: individual na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
- 2024: Pedra Robat na seção Italiani Ovunque da 60ª Bienal de Veneza.
- 2025: retrospectiva dos 90 anos no Paço Imperial, no Rio de Janeiro.
Perguntas frequentes
Qual obra de Maria Bonomi esteve na Bienal de Veneza 2024?
Maria Bonomi apresentou Pedra Robat (1974), xilogravura impressa a partir de duas grandes matrizes de madeira, que foram expostas na base da estampa. A obra integrou a seção Italiani Ovunque, do Núcleo Histórico, montada nos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi.
O que é a gravura expandida de Maria Bonomi?
É a operação de tratar a matriz gravada como obra autônoma, além de instrumento de impressão. A ideia levou Bonomi da xilogravura à escultura, à instalação e aos grandes murais de arte pública.
Onde ver obras públicas de Maria Bonomi em São Paulo?
Os exemplos mais conhecidos são Epopeia paulista (2004), na Estação da Luz, e Etnias: do primeiro e sempre Brasil (2008), no Memorial da América Latina. A artista também tem obras na estação Jardim São Paulo do metrô, no Palácio dos Bandeirantes e na Igreja Mãe do Salvador.
Quem foi o professor de gravura de Maria Bonomi?
Seu principal mestre foi Lívio Abramo, com quem começou a gravar em 1954 e de quem foi assistente no Estúdio Gravura. Ela também estudou com Seong Moy e Hans Müller, em Nova York, e com Johnny Friedlaender, no Rio de Janeiro.
Maria Bonomi já tinha participado da Bienal de Veneza?
Sim. Em 1964, ela foi a artista mais jovem da exposição que inaugurou o Pavilhão do Brasil em Veneza. Em 2024, voltou à Bienal, desta vez na exposição internacional central.

