A história da gravura no Brasil não pode ser contada sem a presença decisiva de mulheres que transformaram técnica em linguagem e matriz em pensamento. Entre xilogravura, litografia, metal, serigrafia e experimentações conceituais, essas artistas ampliaram o campo gráfico e tensionaram os limites entre tradição e contemporaneidade.
Mais do que dominar procedimentos técnicos, elas redefiniram o papel da gravura na arte brasileira: como meio de investigação formal, ferramenta política, espaço de pedagogia e território de invenção.
A seguir, reunimos algumas das maiores gravuristas brasileiras — nomes fundamentais para entender a gravura moderna e contemporânea no país.
Maria Bonomi


Referência incontornável da xilogravura brasileira, Maria Bonomi expandiu a escala e a potência da gravura. Suas matrizes monumentais e seu rigor técnico colocaram a xilogravura em diálogo com o espaço público e a arquitetura. Sua obra articula memória, política e experimentação formal.
Fayga Ostrower


Uma das artistas mais importantes do abstracionismo no Brasil, Fayga Ostrower fez da gravura um campo de investigação sobre ritmo, forma e estrutura. Também foi pensadora fundamental da arte, refletindo sobre processo criativo e linguagem visual.
Edith Behring

Edith Behring foi pioneira na consolidação da gravura moderna no Brasil. Sua produção dialoga com a abstração e revela domínio técnico aliado a uma pesquisa formal rigorosa.
Renina Katz


Renina Katz construiu uma trajetória sólida na gravura e no ensino. Suas xilogravuras iniciais dialogam com questões sociais e humanas, enquanto sua produção posterior evidencia síntese formal e delicadeza no traço.
Anna Bella Geiger


Embora conhecida também por sua produção conceitual, Anna Bella Geiger utilizou a gravura como meio crítico para discutir território, cartografia e identidade latino-americana.
Isabel Pons

Isabel Pons desenvolveu uma produção consistente na gravura, articulando pesquisa técnica e investigação sobre luz e espacialidade.
Helena Lopes


Helena Lopes explora a matriz como espaço de experimentação gráfica, enfatizando textura, gesto e variações de impressão.
Anna Letycia

Importante gravurista e professora, Anna Letycia consolidou a litografia no Brasil e influenciou gerações de artistas. Seu trabalho evidencia precisão técnica e refinamento formal.
Djanira da Motta e Silva

Embora mais conhecida pela pintura, Djanira também produziu gravuras marcadas por narrativas populares e cenas do cotidiano brasileiro.
Lygia Pape

Figura central do neoconcretismo, Lygia Pape produziu as célebres séries de xilogravuras “Tecelares”, onde estrutura, ritmo e repetição criam uma poética construtiva singular.
Elisa Bracher

Reconhecida também pela escultura, Elisa Bracher também desenvolveu trabalhos gráficos que dialogam com peso, matéria e estrutura.
Luise Weiss

Luise Weiss investiga memória e paisagem por meio da gravura, criando atmosferas delicadas e introspectivas.
Lurdi Blauth


Sua produção gráfica destaca-se pela pesquisa formal e pela exploração do contraste entre áreas de luz e sombra.
Nina Kreis


Nina Kreis desenvolve uma pesquisa contemporânea na gravura, articulando experimentação e diálogo com questões atuais.
Regina Silveira


Conhecida por suas investigações sobre perspectiva e sombra, Regina Silveira utilizou a gravura e a serigrafia como meios para discutir ilusão, espaço e poder da imagem.
Wilma Martins


Wilma Martins desenvolveu uma produção consistente na gravura, com forte presença da figura humana e do imaginário simbólico. Suas xilogravuras revelam domínio técnico aliado a uma atmosfera densa e, por vezes, onírica. A artista construiu uma trajetória sólida no campo gráfico brasileiro, contribuindo para a consolidação da gravura como linguagem autônoma na arte moderna e contemporânea.
