A Sociedade Pró-Arte Moderna (SPAM) foi uma das mais importantes agremiações culturais criadas em São Paulo no início da década de 1930. Fundada em dezembro de 1932 por artistas, intelectuais e membros da elite paulistana, a SPAM nasceu com o objetivo de ampliar o público da arte moderna, fortalecer o intercâmbio artístico e criar um ambiente institucional favorável à consolidação da vanguarda no Brasil.
Sua trajetória, embora breve — encerrada oficialmente no final de 1934 —, foi decisiva para a estruturação do sistema artístico paulista e para a institucionalização da arte moderna no país.
Fundação e contexto histórico
A SPAM foi fundada em 23 de novembro de 1932, em reunião realizada na casa do arquiteto Gregori Warchavchik, com a presença de nomes centrais do modernismo brasileiro, entre eles Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Paulo Rossi Osir e Paulo Mendes de Almeida.
A criação da SPAM ocorreu em um momento de transformações políticas e sociais profundas no Brasil, após a Revolução de 1930 e durante o processo de reorganização das elites culturais paulistas. O mercado de arte ainda era incipiente, e os artistas dependiam amplamente do mecenato privado. Nesse cenário, surgem duas associações culturais em 1932: a SPAM e o Clube de Artistas Modernos (CAM). Embora contemporâneas, as duas agremiações possuíam orientações distintas.
A SPAM se estruturou como uma sociedade cultural organizada, com estatuto, diretoria e sede formal, buscando criar um ambiente sofisticado e institucional para a arte moderna.
Manifesto e objetivos da Sociedade Pró-Arte Moderna
O Manifesto de Fundação da Sociedade Pró-Arte Moderna, redigido no final de 1932, não era apenas um documento formal: ele funcionava como um programa cultural e institucional para a arte moderna em São Paulo. Nele, a SPAM se apresentava como uma iniciativa criada por “um grupo de artistas, intelectuais e amigos da arte”, assumindo explicitamente o compromisso de estreitar as relações entre os produtores de arte e o público interessado.
O primeiro objetivo declarado era ampliar o círculo de interessados pela arte moderna. Em vez de restringir a produção artística aos salões privados, residências aristocráticas ou ateliês individuais, a SPAM propunha criar um espaço de convivência contínua, onde artistas e público pudessem se encontrar regularmente. Essa intenção revela uma consciência aguda de que a consolidação da arte moderna dependia não apenas da criação estética, mas também da formação de público e da institucionalização das práticas culturais.
Entre as metas centrais estavam:
- promover exposições de artes plásticas;
- organizar concertos musicais;
- realizar conferências e reuniões literárias;
- incentivar encontros dançantes e eventos festivos;
- organizar anualmente o chamado “Mês das Artes”;
- realizar sorteios de obras entre os sócios;
- instalar uma sede social estruturada, com salão de festas e exposições, sala de leitura e ateliê coletivo.
A proposta de realizar exposições regulares evidencia o desejo de criar um circuito contínuo de apresentação da arte moderna. Já os concertos e conferências demonstram a concepção ampliada de cultura defendida pelo grupo: não se tratava apenas de pintura ou escultura, mas de um projeto multidisciplinar que integrava música, literatura e artes visuais.
O “Mês das Artes”, por sua vez, sintetizava a ambição da SPAM. Idealizado como uma grande demonstração artística anual, ele teria como eixo uma exposição de grande porte, aberta durante todo o mês, acompanhada de concertos, conferências e espetáculos. A escolha de janeiro — próximo ao período carnavalesco — não era casual: permitia a realização de grandes bailes à fantasia, articulando arte moderna, sociabilidade e espetáculo.
Outro aspecto significativo do manifesto é a ênfase na criação de uma sede própria. A SPAM planejava instalar-se em um ponto central da cidade, com bar, biblioteca, discoteca, salão de exposições, sala de concertos e ateliê coletivo com modelos vivos. Essa estrutura indicava o desejo de autonomia institucional e de consolidação física da modernidade artística no espaço urbano paulistano.
No plano financeiro, a sociedade previa sustentar-se por meio das mensalidades dos sócios e da arrecadação com eventos. Embora contasse com contribuições iniciais de sócios beneméritos, o projeto buscava organizar uma base associativa relativamente estável, o que implicava a formação de um público consumidor e apoiador da arte moderna.
Fundação e contexto histórico
A SPAM foi fundada em 23 de novembro de 1932, em reunião realizada na casa do arquiteto Gregori Warchavchik, com a presença de nomes centrais do modernismo brasileiro, entre eles Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Paulo Rossi Osir e Paulo Mendes de Almeida.
A criação da SPAM ocorreu em um momento de transformações políticas e sociais profundas no Brasil, após a Revolução de 1930 e durante o processo de reorganização das elites culturais paulistas. O mercado de arte ainda era incipiente, e os artistas dependiam amplamente do mecenato privado. Nesse cenário, surgem duas associações culturais em 1932: a SPAM e o Clube de Artistas Modernos (CAM). Embora contemporâneas, as duas agremiações possuíam orientações distintas.
A SPAM se estruturou como uma sociedade cultural organizada, com estatuto, diretoria e sede formal, buscando criar um ambiente sofisticado e institucional para a arte moderna.
Estrutura e sede
Durante os primeiros meses, a SPAM funcionou em espaços provisórios — residências de sócios e locais alugados. Somente em 16 de agosto de 1933 foi inaugurada a sede oficial, no quinto andar do Palacete Campinas, na Praça da República.

A sede contava com:
- Salão para exposições, concertos e conferências
- Ateliê coletivo
- Biblioteca com revistas nacionais e estrangeiras
- Bar e rouparia
- Piano de cauda
O investimento foi alto: aluguel elevado, reforma do espaço e aquisição de mobiliário sofisticado. A escolha de um local nobre e a preocupação com a ambientação revelam o perfil social da agremiação e sua intenção de afirmar a arte moderna como prática cultural legítima e prestigiosa.
Perfil dos integrantes
A SPAM reunia:
- Artistas modernistas brasileiros
- Imigrantes europeus
- Empresários industriais
- Membros da elite tradicional paulista
Entre os participantes estavam Anita Malfatti, John Graz, Vittorio Gobbis, além de músicos como Camargo Guarnieri e intelectuais como Mário de Andrade. A presença de famílias como os Klabin e de mecenas como Olívia Guedes Penteado foi fundamental para a sustentação inicial da entidade. A SPAM mantinha uma postura mais conservadora em termos institucionais e sociais, funcionando como uma extensão do salão cultural de Dona Olívia, embora com ambições mais amplas.
Exposições e programação artística
A SPAM destacou-se por organizar exposições de grande relevância:
1ª Exposição de Arte Moderna (abril–maio de 1933)
Reuniu cerca de 100 obras, dispostas de forma moderna — com espaçamento entre elas, rompendo com o modelo tradicional de ocupação total das paredes.
Incluiu artistas nacionais e também obras de vanguarda europeia pertencentes a colecionadores paulistas, como:
- Pablo Picasso
- Fernand Léger
Essa iniciativa foi inédita na América Latina, reunindo produção moderna nacional e internacional no mesmo espaço.
2ª Exposição – Artistas Modernos do Rio de Janeiro (novembro de 1933)
Com 101 obras, ampliou o intercâmbio entre estados brasileiros e consolidou a atuação da SPAM para além de São Paulo.
Também promoveu exposições individuais, como a de Vittorio Gobbis (1933) e do uruguaio Carlos Washington Aliseris (1934).
O “Mês das Artes” e o Carnaval
Um dos projetos centrais da SPAM era o “Mês das Artes”, previsto para janeiro. Embora nem sempre tenha ocorrido conforme planejado, o conceito articulava:
- Grande exposição
- Concertos e conferências
- Dois bailes à fantasia (abertura e encerramento)
Os bailes da SPAM tornaram-se célebres, especialmente o Baile Spamolândia. A cenografia, muitas vezes concebida por Lasar Segall, criava ambientes imersivos e sofisticados, dialogando com experiências da vanguarda europeia como as festas da Bauhaus.
As festas combinavam espetáculo, crítica social e teatralidade, reforçando o caráter híbrido da instituição: entre clube social e laboratório modernista.


Arte e política
Diferentemente do Clube de Artistas Modernos, a SPAM adotou uma postura oficialmente apolítica. Embora atuasse em um contexto politicamente turbulento, seus principais articuladores — especialmente Lasar Segall — defendiam que a arte não deveria se submeter diretamente à política partidária.
A estratégia da SPAM foi priorizar:
- Intercâmbio artístico internacional
- Consolidação institucional da arte moderna
- Formação de público consumidor
Seu foco era estrutural: criar mercado, legitimidade e reconhecimento.
Dificuldades e conflitos internos
Apesar do sucesso cultural, a SPAM enfrentou dois grandes problemas: os altos custos com sede, decoração e eventos raramente eram compensados pela venda de ingressos, mesmo arrecadando recursos com bailes e contribuições, a entidade vivia em constante instabilidade. E a mistura de artistas, elite tradicional e empresários imigrantes gerava conflitos sobre gestão, rumos estéticos e administração. Após a morte de Olívia Guedes Penteado, a sustentação simbólica e financeira da entidade enfraqueceu.
Em 22 de dezembro de 1934, durante assembleia na nova sede da Rua Líbero Badaró, Lasar Segall propôs oficialmente a extinção da sociedade. No final de 1934, a SPAM encerrou suas atividades.