Claire Fontaine é um coletivo de arte conceitual feminista fundado em Paris, em 2004, pela dupla ítalo-britânica Fulvia Carnevale e James Thornhill, hoje baseado em Palermo. Sua série de neons Foreigners Everywhere / Stranieri Ovunque, iniciada em 2004, deu título à 60ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, com curadoria de Adriano Pedrosa, em 2024.
Claire Fontaine é uma artista fictícia, uma persona coletiva criada em 2004 por Fulvia Carnevale e James Thornhill, que se apresentam como seus “assistentes”. O nome vem de uma marca francesa de cadernos escolares, a Clairefontaine, e ecoa Fonte (1917), o urinol de Marcel Duchamp que se tornou o readymade mais célebre do século XX. Com esse gesto inaugural, a dupla se declarou uma “artista readymade” e passou a construir uma arte neoconceitual que muitas vezes se parece, de propósito, com o trabalho de outros artistas. Carnevale e Thornhill fabricam os objetos, as pinturas, os neons, os vídeos e os textos de Claire Fontaine e respondem às entrevistas em seu nome, como dupla e como uma única entidade. A formação intelectual do coletivo nasce em diálogo com o pensamento político francês e italiano das décadas de 1990 e 2000: parte de seus integrantes participou da revista Tiqqun, em cujo segundo número, publicado em 2001, surgiu o conceito de greve humana, que se tornaria central na obra de Claire Fontaine. As referências filosóficas declaradas incluem Giorgio Agamben, Jacques Rancière, Walter Benjamin e Michel Foucault, e a inspiração política mais direta vem da feminização radical do movimento autonomista italiano no fim dos anos 1970. Para os artistas, Claire Fontaine funciona como um espaço de dessubjetivação, onde as biografias da dupla ficam separadas das obras e as ideias podem ultrapassar a soma de duas personalidades. Eles trabalham juntos em todas as etapas, sem divisão fixa de tarefas e quase sem assistentes, e dizem que a maior parte da obra acontece em conversas e discussões.
A obra de Claire Fontaine tem uma fortuna crítica que cruza arte contemporânea, filosofia política e teoria feminista. A antologia Human Strike and the Art of Creating Freedom (2020), com prefácio do historiador da arte Hal Foster, reuniu pela primeira vez em inglês os escritos teóricos do coletivo. Em 2024, a teórica política Anita Chari, professora da Universidade de Oregon, publicou A User’s Manual to Claire Fontaine (Lenz Press), que propõe ler a prática do coletivo como um conjunto de técnicas e procedimentos capazes de tornar a teoria crítica mais corporal e tátil. O livro organiza o pensamento de Claire Fontaine em torno de operações como a desfuncionalização, a crítica institucional, a greve humana, a mimese tátil, a dessubjetivação, o détournement, o “materialismo mágico” e o materialismo feminista. As monografias publicadas pela Koenig Books, Foreigners Everywhere (2011), com textos de Letizia Ragaglia, Bernard Blistène, Nicolas Liucci-Goutnikov, John Kelsey e Hal Foster, e Newsfloor (2020), com textos de Anita Chari e Jaleh Mansoor, completam o quadro, ao lado da conversa Foreigners Everywhere (2022), com Iman Ganji e José Rosales.
O que é um artista readymade?
A ideia de artista readymade desloca para o sujeito a operação que Duchamp aplicou aos objetos. Um urinol ou um porta-garrafas se tornam obra quando o artista os retira do uso cotidiano e os expõe em outro contexto; Claire Fontaine faz o mesmo com a figura do artista, tratando a autoria como uma convenção padronizada, produzida em série pelo capitalismo contemporâneo, tão deslocada e intercambiável quanto as mercadorias. Os artistas explicam que toda a sua prática se baseia na descontextualização de objetos e referências, já que o readymade é justamente a coisa que perde seu valor de uso e passa a habitar um lugar estranho a ela. A partir daí, o interesse se estende naturalmente aos seres vivos deslocados: migrantes, refugiados, pessoas arrancadas de seus territórios. Em entrevista de 2012, a dupla afirmou que o artista readymade abre uma brecha na mitologia do herói estético excepcional e aproxima a arte de gestos mais acessíveis, numa mistura entre arte e vida que procura evitar qualquer romantismo. Em 2024, os artistas voltaram ao tema ao dizer que é hora de avaliar os danos causados pelo individualismo capitalista e a fragilidade das subjetividades construídas sobre ele; para Claire Fontaine, a identidade tende a permanecer igual para atender às expectativas da família, do trabalho e do Estado, enquanto a subjetividade está sempre em transformação. O uso sistemático da apropriação e do desvio vem da mesma intenção: ativar formas e forças que já circulam na cultura visual e sublinhar seu conteúdo político, em vez de celebrar a singularidade de um autor único.
Greve humana: o conceito central de Claire Fontaine
A greve humana é o conceito que organiza o pensamento de Claire Fontaine e amplia a noção de greve para além do trabalho assalariado. Segundo os artistas, a recusa ao trabalho é apenas uma parte dela; o aspecto mais importante é a recusa de relações humanas e dinâmicas sociais que reproduzem a opressão. O conceito foi pensado para dar dignidade política a ações que parecem estranhas ou apenas violentas, mas que manifestam problemas profundos que ninguém quer enfrentar, e inclui quem tem seu trabalho invisibilizado: as mulheres no trabalho doméstico, os desempregados, os precários, quem faz trabalho de cuidado gratuito ou mal pago. A matriz dessa ideia é o feminismo italiano dos anos 1970. Para explicá-la, a dupla costuma lembrar a fala de uma mulher anônima numa assembleia italiana daquela década, que descrevia a liberdade como sair de casa só com uma escova de dentes, dormir no sofá dos amigos e vender a aliança, desertando do trabalho doméstico e do amor imposto. Em 2024, os artistas detalharam o ponto de partida: a greve deve começar pelas identidades de gênero, porque a sociedade patriarcal se organiza em papéis fixos, e romper esse mecanismo abriria caminho para romper os demais, numa referência ao filósofo Paul B. Preciado. Para eles, a luta já não se limita à diferença de classe e passa pela forma como a subjetividade é construída. Os escritos do coletivo sobre o tema foram reunidos em Human Strike and the Art of Creating Freedom (Semiotext(e), 2020), antologia com prefácio de Hal Foster, também publicada em francês e italiano.
Obras principais: a poética da sabotagem e do desvio
As obras mais conhecidas de Claire Fontaine transformam objetos banais, ligados à troca e ao consumo, em ferramentas de sabotagem potencial. Os artistas descrevem sua prática como um discurso em que esculturas, projeções e textos funcionam como frases, e dizem que preferem trabalhar com objetos porque se interessam pelo estatuto estético do objeto numa época em que os próprios sujeitos foram transformados em mercadoria.
| Obra | Ano | Materiais e operação |
|---|---|---|
| Foreigners Everywhere | desde 2004 | Série de neons com a frase em dezenas de línguas, primeira obra do coletivo |
| Change | 2006 | Moedas de 25 centavos de dólar com lâminas de estilete ocultas, que unem dinheiro e ferramenta de corte |
| Brickbats | desde 2006 | Tijolos envoltos em capas de livros de pensamento radical do pós-guerra, entre a construção e o projétil |
| Passe-Partout e Instructions for the Sharing of Private Property | 2006 | Chaves, gazuas e manual de abertura de fechaduras; o livro saiu em 2011, com cerca de 150 páginas de instruções |
| Multitude | 2007 | Tela com cerca de 3 mil emblemas bordados falsificados, presos por alfinetes |
| WARM/WAR | 2009 | Neon movido a energia solar, instalado no centro de Columbus (Ohio), que alterna as palavras WARM e WAR |
| This neon sign was made by… | série | Neons que informam o nome de quem os fabricou e quanto recebeu, em resposta a Five Words in Blue Neon, de Joseph Kosuth |
| P.I.G.S. | 2011 | Parede de gesso com palitos de fósforo, incendiada em 21 de junho de 2011 no MUSAC, em León (Espanha) |
| FATHERFUCKER | 2024 | Neon visível da rua na exposição Show Less, na Mimosa House, em Londres |
Com This neon sign was made by…, a dupla quis tornar visível a parte submersa da produção artística, com seus custos e seus trabalhadores, e criticar a suposta neutralidade da arte conceitual. Os tijolos com capas de livros resumem o procedimento: livros e tijolos servem tanto para construir quanto para quebrar, e a obra deixa o público diante da pergunta sobre o que deseja fazer com eles. Claire Fontaine também questiona o livro como mercadoria em Vivre, vaincre (Dilecta, 2009), que reproduz 54 capas e recombina, por meio de cortes, os textos de quarta capa numa história fragmentada de revoltas e resistências.
Foreigners Everywhere: como a frase chegou a Claire Fontaine
Foreigners Everywhere / Stranieri Ovunque começou com um panfleto. No início dos anos 2000, Fulvia Carnevale e James Thornhill encontraram em Turim um folheto dirigido a migrantes e assinado de forma enigmática como “Stranieri Ovunque”, nome de um coletivo anarquista que combatia o racismo e a xenofobia na Itália. A dupla recolheu o potencial ambíguo dessas duas palavras, traduziu-as para diferentes línguas e as acendeu como se fossem legendas dos espaços onde eram instaladas. A série foi a primeira obra criada como Claire Fontaine, em 2004, e, segundo os artistas, sua primeira instalação aconteceu num espaço chamado Mars Pavilion, perto da entrada da Bienal de Veneza. As primeiras versões usavam as línguas dos países onde os membros do coletivo nasceram, e por isso os artistas definem a obra, na origem, como um autorretrato: italiano e inglês são suas duas nacionalidades. Com o tempo, a série passou a incluir línguas ocidentais e não ocidentais, várias indígenas e algumas já extintas; em 2005, deu título a uma exposição na galeria Reena Spaulings, em Nova York, e em 2011, à primeira monografia do coletivo, publicada pela Koenig Books. Para os artistas, estrangeiro é o nome de uma relação social, já que qualquer pessoa que deixa seu país se torna estrangeira; em 2012, afirmaram que todos se sentem estrangeiros num mundo inteiramente fabricado e que “a estrangeiridade é o que temos em comum”. O neon foi escolhido por razões históricas e sensoriais: a arte conceitual dos anos 1960 e 1970, com Bruce Nauman e Joseph Kosuth, adotou essa forma anônima da publicidade, e até hoje as letras luminosas no espaço público costumam transmitir ordens comerciais ou de segurança. A dupla também destaca que o neon é uma luz viva, produzida por gases que vibram dentro dos tubos, difícil de fotografar e perceptível a olho nu.
A obra na Bienal de Veneza 2024
Na 60ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, aberta de 20 de abril a 24 de novembro de 2024, Foreigners Everywhere / Stranieri Ovunque (60th International Art Exhibition / 60. Esposizione Internazionale d’Arte) (2004–2024) ganhou uma nova instalação de grande escala nas Gaggiandre do Arsenale, os antigos estaleiros venezianos sobre a água. Quando anunciou o título, Pedrosa informou que a série reunia cerca de 53 línguas; na montagem final, segundo os artistas, cerca de sessenta neons ficaram suspensos sob as Gaggiandre, cada um com a frase numa língua diferente. A ficha técnica lista neons suspensos, estrutura, transformadores, cabos e acessórios. Além desse conjunto, dois neons duplos, intitulados Foreigners Everywhere (Self-portrait) / Stranieri Ovunque (Autoritratto) (2024), em italiano e inglês, marcaram a entrada do Pavilhão Central, nos Giardini, e a entrada das Corderie, no Arsenale. O texto de parede, assinado pela curadora Amanda Carneiro, destaca que a obra reconhece como os sentidos podem se alterar ou se confundir no deslocamento e que ela investiga uma “língua estrangeira dentro da linguagem”. Na introdução da mostra, Pedrosa atribuiu à frase pelo menos dois sentidos: onde quer que se vá, sempre haverá estrangeiros, e onde quer que se esteja, cada pessoa é, no fundo, também estrangeira; acrescentou que ela pode soar como lema, palavra de ordem ou grito de entusiasmo, alegria ou medo. Foi a primeira participação de Claire Fontaine na Bienal de Arte, numa exposição com 331 artistas. Batizar a mostra com a obra foi ideia de Pedrosa, e Fulvia Carnevale descreveu a escolha como “uma surpresa total”. Para os artistas, ao se apropriar de uma apropriação, o curador mudou a função da obra, como acontece com um objeto que vira readymade, e a transformou numa obra de arte que abriga todas as outras, como refugiados. Em paralelo, a galeria Mennour apresentou em Paris, de 2 de maio a 25 de julho de 2024, a exposição Étrangers partout, um recorte da instalação veneziana.
Do Panorama de 2009 a Veneza: a ponte brasileira da série
A relação entre Adriano Pedrosa e Foreigners Everywhere começou no Brasil, quinze anos antes de Veneza. Em 2009, Pedrosa fez a curadoria do 31º Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, e tomou uma decisão que gerou polêmica: organizou um Panorama da arte brasileira com cerca de 30 artistas estrangeiros, cujas obras dialogavam com a arte e a cultura do país. O título, Mamõyguara opá mamõ pupé, é a versão em tupi antigo de “estrangeiros em toda parte”, tirada da série de Claire Fontaine, e a obra foi exposta em neon nas versões em tupi e em português. O título também remetia ao “Tupi or not tupi” do Manifesto Antropófago (1928), de Oswald de Andrade, e, segundo o próprio Pedrosa, a expressão numa língua nativa que poucos brasileiros compreendem podia soar amarga num debate sobre nacionalismo e xenofobia no campo da arte. Claire Fontaine integrou o grupo de oito artistas residentes do Panorama, convidados a iniciar uma relação com São Paulo. A edição de 2009 se tornou objeto de pesquisas acadêmicas brasileiras, que a analisaram como exemplo de montagem curatorial inspirada no Atlas Mnemosyne de Aby Warburg. Na leitura que propomos aqui, como escolha editorial do Arte como Assunto, a Bienal de 2024 pode ser vista como a escala global de um experimento curatorial que nasceu em São Paulo: em 2009, o tupi devolvia a frase aos primeiros habitantes do território, para quem os europeus eram os estrangeiros que chegavam por toda parte; em 2024, as dezenas de línguas sob as Gaggiandre multiplicavam essa inversão, colocando cada visitante na posição de quem não entende todas as palavras.
A recepção do título e os debates sobre a frase
O título da Bienal provocou debate porque a ambivalência de Stranieri Ovunque permite leituras opostas. Às vésperas da abertura, o artista Anish Kapoor, que vive em Veneza, afirmou que as palavras, apesar das boas intenções do curador, “ecoam a linguagem do neofascismo nacionalista”, e pediu a retirada do título. Parte da crítica observou a própria tradução: stranieri pode ser vertido como “strangers”, estranhos, e a escolha de “foreigners” desloca o peso para a identidade nacional, permitindo que a frase funcione tanto como queixa quanto como grito de mobilização. Outros críticos notaram que o lema bilíngue prometia uma confusão produtiva, ligada às incompreensões da tradução. Claire Fontaine respondeu que a obra nada tem de racista, que “estrangeiro” descreve uma condição social compartilhada por milhões de pessoas e que, num momento histórico com o maior número de migrantes e deslocados já registrado, considerar negativa a presença de estrangeiros revela uma forma de egocentrismo. Em outra entrevista, a dupla acrescentou que as pessoas podem se sentir estrangeiras em toda parte quando já não se reconhecem em seus governos nem em suas nações, e que ambiguidade e autocensura fazem mal à arte. O debate também se deu num contexto político preciso: a Itália, historicamente um país de emigração, tornou-se destino de imigração em massa há relativamente pouco tempo, e o tema migratório ocupa o centro da disputa política no país.
Desde 2017, Claire Fontaine vive e trabalha em Palermo, na Sicília. A escolha da cidade dialoga diretamente com a Bienal de Pedrosa, pensada a partir do Sul Global. Os artistas explicam que, além das razões óbvias, como comida, pessoas e clima, escolheram Palermo por sua relação com a resiliência: uma cidade que convive com suas feridas e encontra formas de coexistir com o irreparável, a imperfeição e o abandono. Para eles, os problemas da civilização contemporânea ficam mais visíveis a partir do Sul, longe da reescrita da realidade operada pela propaganda e pelo espetáculo, no sentido de Guy Debord, que esconde as possibilidades de saída da crise. A mudança para a Sicília coincide com uma fase em que o coletivo passou a expor com frequência em instituições italianas, como o Palazzo Ducale de Gênova, o Museo del Novecento de Florença e a Accademia di San Luca, em Roma, onde apresentou um novo neon em 2024.
Cronologia de Claire Fontaine
- Início dos anos 2000: Fulvia Carnevale e James Thornhill encontram em Turim o panfleto assinado “Stranieri Ovunque”.
- 2004: fundação de Claire Fontaine em Paris; criação de Foreigners Everywhere.
- 2005: exposição Foreigners Everywhere na galeria Reena Spaulings, em Nova York.
- 2006: Change, primeiros Brickbats e Instructions for the Sharing of Private Property.
- 2009: Vivre, vaincre (Dilecta); WARM/WAR em Columbus; o neon em tupi dá título ao 31º Panorama da Arte Brasileira, no MAM São Paulo.
- 2011: monografia Foreigners Everywhere (Koenig Books); individual P.I.G.S. no MUSAC; livro Some Instructions for the Sharing of Private Property (One Star Press).
- 2012–2013: individuais no Museion (Bolzano), no CCA Wattis (San Francisco) e no Jewish Museum (Nova York).
- 2017: mudança para Palermo.
- 2019–2022: individuais no Palazzo Ducale (Gênova), nas Galerias Municipais (Lisboa), no Museo del Novecento (Florença) e na Memphis (Linz).
- 2020: antologia Human Strike and the Art of Creating Freedom (Semiotext(e)) e monografia Newsfloor (Koenig Books).
- 2024: a série dá título à 60ª Bienal de Veneza; exposições Étrangers partout (Paris), Show Less (Londres) e Beauty is a Ready-made (Seul); publicação de A User’s Manual to Claire Fontaine, de Anita Chari.
Perguntas frequentes
Claire Fontaine é uma pessoa?
Claire Fontaine é uma persona artística coletiva criada em 2004 por Fulvia Carnevale e James Thornhill. O nome vem de uma marca de cadernos franceses e faz referência à Fonte de Duchamp, e a dupla se apresenta como “assistente” da artista.
De onde vem a expressão Stranieri Ovunque?
Era a assinatura de um panfleto dirigido a migrantes que os artistas encontraram em Turim no início dos anos 2000, nome de um coletivo anarquista que combatia a xenofobia. Claire Fontaine transformou a expressão em sua primeira obra, uma série de neons em várias línguas.
Como a obra foi apresentada na Bienal de Veneza 2024?
Cerca de sessenta neons em línguas diferentes ficaram suspensos nas Gaggiandre do Arsenale. Neons duplos em italiano e inglês, chamados Autorretrato, marcaram as entradas do Pavilhão Central e das Corderie.
Por que o título da Bienal gerou polêmica?
A frase pode ser lida como denúncia da xenofobia ou como slogan xenófobo. O artista Anish Kapoor pediu a retirada do título, e Claire Fontaine respondeu que estrangeiro descreve uma condição social compartilhada por milhões de pessoas.
Qual é a relação de Claire Fontaine com o Brasil?
Em 2009, Adriano Pedrosa usou a versão em tupi antigo da obra, Mamõyguara opá mamõ pupé, como título do 31º Panorama da Arte Brasileira, no MAM São Paulo, onde o coletivo foi artista residente. A parceria antecede em quinze anos a Bienal de Veneza.

