Susanne Wenger (Graz, Áustria, 1915 – Osogbo, Nigéria, 2009) foi pintora, escultora e artista têxtil austríaca que se tornou sacerdotisa iorubá com o nome de Àdùnní Olórìṣà. Com artistas nigerianos da New Sacred Art, reconstruiu o Bosque Sagrado de Osun-Osogbo, patrimônio da UNESCO. Seis batiks seus integraram a Bienal de Veneza 2024.
Susanne Wenger nasceu em Graz, na Áustria, em 4 de julho de 1915, e morreu em Osogbo, na Nigéria, em 12 de janeiro de 2009, aos 93 anos. Sua biografia reúne duas trajetórias que raramente se encontram: a de uma artista de vanguarda da Áustria do pós-guerra, considerada uma das figuras centrais da arte austríaca depois de 1945 e uma precursora do surrealismo no país, e a de uma sacerdotisa da religião tradicional iorubá, reconhecida em Osogbo pelo nome de Àdùnní Olórìṣà. Àdùnní significa “aquela que se gosta de ter por perto”, e Olórìṣà designa quem foi iniciado no culto aos orixás. Sua obra inclui desenhos, pinturas a óleo, serigrafias, batiks e esculturas monumentais em cimento, barro, madeira e ferro, e combina arte, espiritualidade e mito sem respeitar fronteiras entre categorias. Wenger viveu quase sessenta anos na Nigéria, de 1950 até a morte, e voltou à Europa apenas para exposições e para vender pinturas e batiks que financiavam o trabalho no bosque sagrado. Foi sepultada segundo os ritos tradicionais dos orixás, no bosque que escolheu como lar. A Bienal de Veneza 2024 foi a primeira apresentação de sua obra na Exposição Internacional de Arte, e desde então seu nome passou a circular em grandes instituições, como a Tate Modern, em Londres.
Para o leitor brasileiro, a obra de Susanne Wenger conversa diretamente com a herança iorubá presente no candomblé e na cultura afro-brasileira. O próprio Adunni Olorisha Trust lembra que o patrimônio cultural do bosque se estende pela África ocidental até o Brasil, o Caribe e os Estados Unidos. Os orixás que estruturam a trajetória da artista têm correspondentes conhecidos no país: Ọbàtálá, a quem ela foi consagrada, é Oxalá; Ṣọ̀pọ̀nná, cujo santuário foi sua primeira obra no bosque, aproxima-se de Omolu e Obaluaiê; Ọ̀ṣun é Oxum, orixá central nos terreiros da Bahia; e Yemoja, tema de um de seus batiks mais célebres, é Iemanjá. O fotógrafo e etnólogo Pierre Verger, radicado em Salvador desde 1946, trabalhou durante quase dezessete anos na região iorubá, com passagens pelas universidades de Ibadan, Ifé e Osogbo, e lembrava o festival de Oxum em Osogbo como uma referência central do culto. A casa de Wenger também liga Osogbo ao Brasil: ela viveu num sobrado de estilo brasileiro, tipologia difundida em Lagos e em outras cidades iorubás pelos agudás, africanos libertos que retornaram do Brasil no século XIX trazendo técnicas e formas da arquitetura colonial luso-brasileira. Como leitura editorial do Arte como Assunto, a presença de Wenger em Stranieri Ovunque inverte o sentido mais conhecido das migrações da modernidade: uma europeia que se deslocou do Norte para o Sul, fez-se estrangeira por escolha e passou a integrar uma comunidade religiosa africana que, do outro lado do Atlântico, também moldou a cultura brasileira. Sua obra, lida ao lado da de Àjàlá e dos artistas da New Sacred Art, convida a pensar a diáspora iorubá como uma rede de idas e vindas entre Osogbo, Salvador e Viena.

Formação em Graz e Viena: surrealismo, guerra e Art Club
A formação de Susanne Wenger começou na Escola de Artes Aplicadas de Graz e seguiu em Viena, no Instituto Federal de Ensino e Pesquisa em Artes Gráficas e na Academia de Belas Artes, que frequentou a partir de 1933. Desde a juventude, preferia a natureza à sala de aula: fazia longas caminhadas pelos Alpes com grupos de jovens excursionistas, retirava-se por dias nas montanhas e projetava sobre árvores e rochas imagens de pietàs e santuários, num repertório que reapareceria décadas depois em Osogbo. Durante o regime nacional-socialista, circulou por meios de oposição de esquerda, escondeu seu companheiro judeu e ajudou perseguidos políticos. Viu amigos e colegas artistas, como Karl Drews e Herbert Eichholzer, serem assassinados pelo regime, experiência que marcou profundamente sua obra. Os desenhos a lápis de cor da série Traumgesichte (Visões de sonho), criados em Viena durante os bombardeios de 1943 e 1944, mostram insetos gigantes, uma lebre monstruosa e cabeças decepadas sob céus em chamas, imagens entre o sonho e o pesadelo que seriam classificadas como “arte degenerada” se tivessem sido expostas. Depois da guerra, Wenger ilustrou um jornal infantil de uma editora comunista e publicou dois desses desenhos numa revista cultural vienense, onde foram atacados como obra de uma pessoa “mentalmente anormal”. Em 1947, participou da fundação do Art Club de Viena, plataforma da arte moderna austríaca que reuniu nomes como Maria Biljan-Bilger, Heinz Leinfellner, Wander Bertoni, Ernst Fuchs e Friedensreich Hundertwasser. Em 1948, um prêmio num concurso de cartazes a levou a Roma e à Sicília; no mesmo ano, em Zurique, entrou para o grupo Abstrakt-Konkret, e em 1949 chegou a Paris, onde se interessou sobretudo pela escultura de Germaine Richier.
Da Nigéria colonial à iniciação nos cultos iorubás
Em Paris, Susanne Wenger conheceu o linguista alemão Ulli Beier, que havia sido contratado para ensinar fonética no University College de Ibadan, na Nigéria, posto reservado a pessoas casadas. Os dois se casaram e chegaram à Nigéria em 1950. A vida social colonial do campus decepcionou o casal, e Beier passou a dar aulas em diferentes cidades para conviver com a população local; com ele, Wenger organizou oficinas de pintura para pacientes de um hospital psiquiátrico em Abeokuta. Em 1951, ela contraiu tuberculose e passou meses acamada, lendo antropologia sobre os iorubás e pintando pequenas tábuas com figuras de cores intensas. No mesmo ano, o casal se mudou para Ede, onde Wenger encontrou Ajagemo, sumo sacerdote de Ọbàtálá, o orixá da criação, correspondente a Oxalá no candomblé brasileiro. Ajagemo se tornou seu mestre e pai espiritual e a conduziu, com a sacerdotisa Iya Shango, por uma iniciação de vários anos, física e mentalmente extenuante, que a consagrou como sacerdotisa de Ọbàtálá. Wenger contou depois que o sacerdote a colocava em situações que ela precisava dominar sem tempo para aprender antes. Em 1955, o casal se mudou para Ilobu, e em 1957 passou a viver numa casa da Ibokun Road, em Osogbo. Wenger e Beier se separaram, e em 1959 ela se casou com um tamborileiro local, passo decisivo de sua integração à vida religiosa iorubá. Com Beier, participou também do ambiente dos clubes Mbari, em Ibadan e Osogbo, centros culturais que reuniram escritores, artistas e músicos nigerianos no início dos anos 1960, embora tenha sempre recusado a ideia de ter alunos e preferisse falar em colaboradores.
O que é àdìrẹ ẹlẹ́kọ, a técnica dos batiks de Wenger?
Àdìrẹ ẹlẹ́kọ é uma técnica iorubá de tingimento por reserva em que o desenho é pintado sobre o tecido com uma pasta de amido de mandioca antes de o pano ser mergulhado no índigo. A pasta seca protege as áreas desenhadas do corante; depois, o amido é retirado e o tecido recebe um banho leve, de modo que o desenho aparece em azul-esverdeado claro sobre um fundo azul-arroxeado escuro. Tradicionalmente, as mulheres iorubás usavam a técnica para decorar os panos de amarrar com padrões geométricos, raramente com figuras, e Osogbo é conhecida até hoje pela tradição do àdìrẹ. Susanne Wenger começou a trabalhar com o batik de amido em meados dos anos 1950, durante a iniciação, e o adaptou a grandes painéis têxteis pintados à mão, às vezes costurando vários panos, para narrar histórias dos orixás. Em 1960, ela resumiu essa fase dizendo: “Agora que tenho tanto a dizer, deixei de pensar na forma.” Mais tarde, passou ao batik de cera, menos comum na África ocidental, que permitia sobrepor cores com mais precisão e organizar os mitos em ciclos narrativos. A partir dos anos 1970, desenvolveu uma técnica própria, que unia batik, pintura sobre tecido e tingimento em índigo num “fluxo espontâneo”, e chamou esses trabalhos de “pinturas sobre tecido”. Entre os batiks mais conhecidos estão Yemoja (1958), dedicado à orixá das águas e protetora das mulheres, The Great Festival of Ajagẹmọ (1958), Oduduwa Creation Myth (1963), batik de amido em índigo com 190 por 300 centímetros, e Obatala, Alajere and the Antelope Agbonrere (1973), batik de cera.
Os batiks de Wenger na Bienal de Veneza 2024
A Bienal de Veneza 2024 apresentou seis batiks de Susanne Wenger no Núcleo Contemporâneo, no Arsenale, dentro da 60ª Exposição Internacional de Arte, Stranieri Ovunque – Foreigners Everywhere, aberta de 20 de abril a 24 de novembro de 2024, com curadoria de Adriano Pedrosa. Entre eles estava Die magische Frau (A mulher mágica, 1960), batik de amido de mandioca do acervo da Susanne Wenger Foundation, sediada em Krems, na Áustria. O texto de parede, assinado pela pesquisadora Merve Fejzula, explica que as seis obras representam a experimentação da artista com o àdìrẹ ẹlẹ́kọ e que pelo menos uma delas foi composta com vários pedaços de tecido costurados. A figuração angular e o uso da escala para distinguir as figuras divinas das demais seguem princípios da estética iorubá, e os títulos remetem à cosmologia iorubá, mas o texto curatorial ressalta que os batiks funcionam como interpretações pessoais do panteão, ligadas à busca de Wenger por arquétipos primordiais no sentido de Carl Gustav Jung. Um detalhe da montagem amplia a leitura dessa presença: no mesmo Núcleo Contemporâneo estavam os batiks de Ṣàngódáre Gbádégẹsin Àjàlá (Osogbo, 1948–2021), também apresentados por Merve Fejzula. Sacerdote de Ṣàngó, Àjàlá viveu por muitos anos na casa de Wenger, a quem considerava mãe adotiva, desenvolveu tinturas vegetais a partir do conhecimento iorubá das plantas e chegou a usar até 35 cores numa única composição de batik de cera. A Bienal reuniu, assim, a artista e um de seus herdeiros diretos, permitindo ver o batik de Osogbo como uma tradição coletiva e geracional.
O Bosque Sagrado de Osun-Osogbo e a New Sacred Art
O Bosque Sagrado de Osun-Osogbo é uma floresta de cerca de 75 hectares às margens do rio Osun, dedicada a Ọ̀ṣun, orixá das águas doces, do amor e da fertilidade, a Oxum do candomblé. Segundo a narrativa de fundação da cidade, Ọ̀ṣun firmou um pacto com o fundador mítico de Osogbo para que a cidade fosse erguida longe da margem do rio, deixando o bosque como domínio da deusa. No fim dos anos 1950, com os santuários em ruínas, a cidade avançando sobre a floresta e a religião tradicional enfraquecida pela colonização e pelas missões cristãs e islâmicas, a sacerdotisa principal de Ọ̀ṣun pediu ajuda a Susanne Wenger. A partir de 1958, ela reconstruiu o santuário de Idi Baba, dedicado a Ṣọ̀pọ̀nná, divindade das doenças, ligada no Brasil a Omolu e Obaluaiê, e depois restaurou o santuário principal de Ọ̀ṣun. Antes dela, o bosque era um espaço sagrado com poucas imagens; Wenger e seus colaboradores o transformaram com portais, muros, santuários e esculturas monumentais de formas orgânicas e ondulantes, que rompiam com a escultura iorubá tradicional e mantinham os atributos essenciais de cada orixá. Para Wenger, os santuários precisavam ser novos para servir aos deuses, e ela descreveu sua motivação como a necessidade de “construir um centro de força para proteger esses bosques”. A reativação do culto devolveu força à proibição tradicional de pesca, caça e ocupação; em 1965, o bosque foi declarado monumento nacional, e hoje abriga mais de 400 espécies de plantas e árvores. Em 15 de julho de 2005, ano dos 90 anos de Wenger, a UNESCO inscreveu o Bosque Sagrado de Osun-Osogbo na Lista do Patrimônio Mundial, como o segundo sítio nigeriano da lista, e o festival anual de Ọ̀ṣun, realizado em agosto, reúne dezenas de milhares de devotos e visitantes.
Os artistas da New Sacred Art
A New Sacred Art é o movimento de artistas de Osogbo que criou, com Susanne Wenger, as esculturas e os santuários do bosque sagrado ao longo de mais de seis décadas. Os primeiros integrantes começaram a trabalhar com ela no fim dos anos 1950, o grupo ganhou forma no início dos anos 1960 e passou a se apresentar como New Sacred Art em 1965. Wenger procurava pessoas que, em suas palavras, “tinham o orixá dentro de si à espera de ser despertado”, e quase todas eram trabalhadores manuais da cidade, que se tornaram artistas com linguagens próprias. O núcleo do grupo tinha cerca de doze artistas:
| Artista | Origem | Contribuição |
|---|---|---|
| Adebisi Akanji | Pedreiro | Principal colaborador de Wenger por mais de quarenta anos, coautor de grande parte dos santuários; tornou-se escultor em cimento, pintor, artista de batik e sumo sacerdote Ògbóni |
| Ojewale Amoo | Pedreiro | Um dos primeiros membros, recrutado em 1958 para o santuário de Idi Baba; autor do muro dos Egúngún, na entrada do bosque |
| Saka Aremu | Pedreiro | Autor da estátua de Ọ̀ṣun e das figuras do Mercado, Ọjà Oǹtótóo |
| Buraimoh Gbadamosi | Alfaiate e carpinteiro | Esculturas em pedra e madeira de figuras curvilíneas de olhos salientes |
| Rabiu Abesu | Família de entalhadores de objetos rituais | Totens de madeira, retomando uma tradição familiar interrompida |
| Kasali Akangbe-Ogun | Carpinteiro | Mestre entalhador, de uma linhagem que havia abandonado a escultura em madeira |
| Foyeke Ajoke e Songo Tundun | Pintoras | Pinturas murais dos santuários, tradicionalmente um domínio feminino na cultura iorubá |
| Ajibike Ogunniyi | Ferreiro | Portas, grades, cadeiras e esculturas de divindades em metal |
| Asiru Oladepo | Metalúrgico | Relevos em alumínio e cobre martelados sobre a cosmologia e o cotidiano de Osogbo |
| Jinadu Oladepo | Fundidor | Objetos rituais em latão e bronze |
| Ṣàngódáre Gbádégẹsin Àjàlá | Linhagem de sacerdotes de Ṣàngó | Batiks; liderou a equipe de restauração e foi curador do legado de Wenger |
O Adunni Olorisha Trust, criado em 1998 para apoiar os artistas do bosque, coordena desde 2006 uma equipe de restauração com 22 integrantes, que já recuperou mais de oitenta santuários, esculturas e monumentos. Em 2025, Adebisi Akanji e Susanne Wenger foram incluídos lado a lado na exposição Nigerian Modernism, na Tate Modern, um reconhecimento institucional da autoria coletiva do movimento.
Jung, arquétipos e a ideia de arte como ritual
O pensamento artístico de Susanne Wenger parte da convicção de que a arte é uma linguagem arcaica comum a toda a humanidade, e sua síntese mais conhecida é a frase “a arte é ritual, ou não é arte”. Sua principal referência teórica era a teoria dos arquétipos de Carl Gustav Jung, e ela também leu Rudolf Steiner, William Blake e Mircea Eliade e se correspondeu com o mitólogo Joseph Campbell. Os motivos que atravessam sua obra, como a árvore, o olho, a serpente, a salamandra, o pássaro, a barca ritual e o ser devorado por monstros, aparecem já nos desenhos da guerra e reaparecem nos batiks e nas esculturas nigerianas. Wenger dizia que seu modo de trabalhar continuava europeu e que ela devolvia sua criatividade, do campo profano, à religião; também afirmava que a autoria pouco importava diante dos símbolos arcaicos. Na velhice, rejeitava a ideia de preservar as obras como relíquias e defendia que elas continuassem fazendo parte da vida, resumindo essa posição ao dizer que “a cultura precisa estar viva”. Pesquisadores aproximam o conjunto do bosque da arquitetura orgânica de Steiner, da art brut de Jean Dubuffet, dos jardins de Niki de Saint Phalle e da land art, com a particularidade de que o bosque de Osogbo segue em uso ritual cotidiano. Poucas semanas antes de morrer, perguntada se ainda trabalhava, Wenger respondeu: “Não, mas continuo sonhando.”
Recepção crítica e debates sobre o legado
O trabalho de Susanne Wenger em Osogbo nunca foi consensual, e os debates em torno dele fazem parte da sua história. A revitalização do culto aos orixás provocou reações de cristãos e muçulmanos, as esculturas sofreram vandalismo e observadores europeus criticaram suas formas, que rompiam com a tradição iorubá. A partir de 1976, a ideia de explorar o bosque turisticamente gerou um longo conflito entre a artista e o governo, e Wenger acabou cedendo, na esperança de que cada visitante se tornasse um peregrino. Nos anos 1990, o projeto passou a ser lido como uma estética “verde” precursora e como um gesto pós-colonial antes do tempo. A pesquisa acadêmica mais recente desloca o foco da artista para a cidade: estudos sobre Osogbo mostram que a cidade tem uma história anterior à chegada de Wenger e Beier, que os conflitos atuais em torno do bosque envolvem tempo, espaço, poder e dinheiro, e que as esculturas funcionam como mediações entre esses campos, mais do que como obras de arte isoladas. Nessa perspectiva, Osogbo e seus moradores aparecem como protagonistas da formação de sua própria narrativa cultural, e a patrimonialização pela UNESCO aparece como um processo que também ampliou a comercialização do festival. Há ainda o debate sobre o lugar de uma europeia branca como autoridade religiosa e patrimonial na Nigéria, tema que a própria Wenger reconhecia ao dizer que continuava sendo uma oyinbo, palavra iorubá para pessoa branca, e o debate sobre a visibilidade dos colaboradores nigerianos, por muito tempo menor do que a dela. Em 2001, o curador nigeriano Okwui Enwezor incluiu o batik Yemoja (1958) na exposição The Short Century: Independence and Liberation Movements in Africa, 1945–1994, apresentada em Munique, Berlim, Chicago e Nova York, situando Wenger no centro da história do modernismo africano.
Cronologia de Susanne Wenger
- 1915: nasce em Graz, na Áustria, em 4 de julho.
- 1933: ingressa na Academia de Belas Artes de Viena.
- 1943–1944: série de desenhos Traumgesichte, durante os bombardeios de Viena.
- 1947: participa da fundação do Art Club de Viena.
- 1948: viaja a Roma e à Sicília; em Zurique, integra o grupo Abstrakt-Konkret.
- 1949: em Paris, conhece Ulli Beier.
- 1950: chega à Nigéria, em Ibadan.
- 1951: contrai tuberculose; muda-se para Ede e inicia o aprendizado com o sacerdote Ajagemo.
- 1955: muda-se para Ilobu.
- 1957: passa a viver na casa da Ibokun Road, em Osogbo.
- 1958: começa a reconstrução do santuário de Idi Baba; batiks Yemoja e The Great Festival of Ajagẹmọ.
- 1959: casa-se com um tamborileiro de Osogbo.
- 1960: Die magische Frau, batik exposto em Veneza em 2024.
- 1963: Oduduwa Creation Myth.
- 1965: o bosque é declarado monumento nacional; o grupo de colaboradores adota o nome New Sacred Art.
- 1975: Ulli Beier publica The Return of the Gods: The Sacred Art of Susanne Wenger.
- 1990: retrospectiva na Iwalewahaus, em Bayreuth, e publicação de The Sacred Groves of Oshogbo.
- 1998: criação do Adunni Olorisha Trust.
- 2001: Yemoja integra The Short Century, com curadoria de Okwui Enwezor.
- 2004: exposição em Graz e Medalha de Ouro de Honra da Estíria.
- 2005: o Bosque Sagrado de Osun-Osogbo é inscrito como Patrimônio Mundial da UNESCO.
- 2009: morre em Osogbo, em 12 de janeiro, e é sepultada no bosque.
- 2024: seis batiks no Núcleo Contemporâneo da 60ª Bienal de Veneza.
- 2025–2026: participa de Nigerian Modernism, na Tate Modern, e ganha a individual Àdùnní Olórìṣà, na Halle für Kunst Steiermark, em Graz (7 de fevereiro a 19 de abril de 2026).
Perguntas frequentes
Quem foi Àdùnní Olórìṣà?
Àdùnní Olórìṣà é o nome iorubá de Susanne Wenger, artista austríaca que se tornou sacerdotisa de Ọbàtálá na Nigéria. Àdùnní significa “aquela que se gosta de ter por perto”, e Olórìṣà designa quem foi iniciado no culto aos orixás.
Quais obras de Susanne Wenger estiveram na Bienal de Veneza 2024?
Foram exibidos seis batiks de amido de mandioca no Núcleo Contemporâneo, no Arsenale, entre eles Die magische Frau (1960). Na mesma seção estavam os batiks de Ṣàngódáre Gbádégẹsin Àjàlá, seu colaborador e filho adotivo.
O que é àdìrẹ ẹlẹ́kọ?
É a técnica iorubá de tingimento em índigo em que o desenho é pintado com pasta de amido de mandioca, que protege o tecido do corante. Wenger a adaptou para grandes painéis narrativos sobre os orixás.
O que é a New Sacred Art?
É o movimento de artistas de Osogbo que criou, com Wenger, os santuários e as esculturas do Bosque Sagrado de Osun-Osogbo. Pedreiros, carpinteiros, ferreiros e pintoras se tornaram artistas no grupo, que adotou esse nome em 1965.
Qual a relação de Susanne Wenger com o Brasil?
Sua obra é dedicada a orixás cultuados no candomblé, como Oxalá, Omolu, Oxum e Iemanjá. Ela viveu em Osogbo num sobrado de estilo brasileiro, tipologia trazida para a região iorubá pelos africanos libertos que retornaram do Brasil no século XIX.

